Tharles tinha carteira provisória


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Vendedor Tharles Aparecido Marçal, 20, de Cristais
Vendedor Tharles Aparecido Marçal, 20, de Cristais
Tharles Aparecido Marçal tinha completado 20 anos havia dez dias. Terceiro filho de cinco irmãos, era considerado um rapaz trabalhador (trabalhava em uma granja de porcos) e festeiro. Na terça-feira de Carnaval, chegou a curtir a matinê em Cristais Paulista ao lado dos amigos e, no final da tarde, resolveu pedir o carro emprestado para a mãe, a serviços gerais Maria dos Anjos Batista Santos, que negou.
 
“Falei várias vezes para ele não sair, ele ficou bravo, falou que trabalhava e era responsável. Meu outro filho, que tinha chegado com o carro, saiu em defesa dele e pediu para eu deixar, mas sabia que era para ele não ir.”
 
Segundo Maria dos Anjos, até as 21 horas ela ainda ouviu o filho dar risada na frente de casa com os amigos. Depois, só voltou a vê-lo dentro do caixão no velório. “Não sabia que ele tinha ido. Achei que estava na cidade.” Ainda de acordo com a mãe, o filho estava com a carta provisória e não tinha experiência em dirigir na rodovia. “Fazia um mês que eu tinha comprado esse carro e sempre falava que não queria pagar por lata retorcida. Coração de mãe sente e meu filho não me ouviu.”
 

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