O desejo de passar a última noite de Carnaval em uma cidade diferente terminou em tragédia para um grupo de amigos que deixou Cristais Paulista para se divertir em São José da Bela Vista. No retorno, o carro em que os cinco amigos (três homens e duas mulheres) estavam colidiu frontalmente com outro veículo. Quatro deles, todos de Cristais, morreram na hora.
O grave acidente aconteceu na rodovia Fábio Talarico no quilômetro 46, próximo a um motel, por volta das 2 horas da madrugada. Os cinco jovens faziam o sentido São José a Franca, quando o carro em que estavam, um Fiat Uno, se chocou com um Astra, que fazia o sentido contrário e era ocupado pelo motorista e um passageiro.
Na colisão, morreram o motorista do Uno, o vendedor Tharles Aparecido Marçal, 20, e os ocupantes Gleice Kelly da Silva Oliveira, sapateira de 21 anos; Irene Alves Francisconi, auxiliar de produção de 28; e Ralliter Souza Ferreira, mecânico de 21. O marceneiro Raltermilar de Souza Ferreira, 18, irmão de Ralliter, que também estava no veículo, foi socorrido com vida.
O motorista do Astra, Cristiano Pereira Bueno, 26, de São José da Bela Vista, e o passageiro Anderson Fabiano Marçal, 32, de Restinga, tiveram escoriações pelo corpo e no rosto e foram levados pela Unidade de Resgate até a Santa Casa de Franca. Até a tarde de ontem, 5, o estado de saúde dos três sobreviventes era estável, mas eles continuavam em observação.
Segundo informações da Polícia Rodoviária, o acidente aconteceu em um trecho de curva e a pista estava molhada no momento da colisão. As causas, no entanto, ainda serão esclarecidas pela Polícia Científica.
Luto
As mortes dos quatro jovens, que eram amigos inseparáveis, deixaram Cristais Paulista, onde todos moravam, enlutada. Ainda na madrugada, a notícia da tragédia se espalhou pela cidade. Parentes, amigos e conhecidos custavam a acreditar e a entender o que tinha acontecido. “Não sei onde nem como foi, sabia apenas que ia perder um dos meus cinco filhos”, disse Maria dos Anjos Batista, mãe de Tharles Marçal, que dirigia o Uno e morreu no acidente.
Por conta da comoção, a Prefeitura decretou luto oficial de três dias, trabalhou com bandeiras a meio mastro e ofereceu o CLT (Centro de Lazer do Trabalhador) para que as famílias velassem seus filhos.
Ao meio-dia, os corpos de Ralliter e Gleice foram os primeiros a chegar ao recinto, que logo ficou lotado. Os outros dois corpos, de Tharles e Irene, chegaram cerca de meia hora depois. Todos foram colocados lado a lado para que familiares e amigos se despedissem.
Como os jovens eram amigos, as famílias compartilharam a dor e decidiram enterrá-los no mesmo horário, no fim da tarde, no Cemitério Municipal de Cristais Paulista.
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