Baratas, pombos, ratos, moscas, aranhas e até escorpiões. São com esses animais, transmissores de doenças ou venenosos, que pacientes e funcionários do Pronto-socorro Infantil e do NGA (Núcleo de Gestão Assistencial) são obrigados a conviver diariamente. Desta vez, as acusações contra a Rede Pública de Saúde não partem de opositores ou de pacientes descontentes com o atendimento, mas dos próprios funcionários e do diretor da Divisão de Prontos-socorros, Ricardo Veríssimo Júnior, que, inclusive, pediu a interdição do PS Infantil por falta de condições sanitárias. Em resposta, a secretária de Saúde, Rosane Moscardini, relativizou os problemas e culpou o clima e os vizinhos pela presença dos animais.
Todas as denúncias estão oficializadas em documentos trocados entre o diretor dos PSs e a secretária de Saúde, e também em um abaixo-assinado subscrito por 28 funcionários - entre médicos, enfermeiros e técnicos - do PS Infantil. O Comércio teve acesso com exclusividade aos ofícios que relatam o estado de precariedade do prédio e à resposta dada por Rosane.
Em 14 de janeiro, Veríssimo encaminhou um ofício à secretária, solicitando um estudo para interdição do espaço, além da transferência do PS Infantil para outro lugar, “por não haver mais condições sanitárias apropriadas para prestação de serviço em saúde naquele local”.
No ofício, o diretor afirma que o prédio apresenta “odor fétido causado por fezes de pombos; pombos mortos no forro em processo de putrefação; baratas e vermes; escorrimento de água pútrida do forro para o interior do prédio”. Veríssimo alerta ainda para o risco “iminente” de transmissão de doença por conta dos pombos.
O documento relata que medidas de adequação estão sendo solicitadas há um ano e que “o problema transcende a competência do setor de Manutenção e requer ações que envolvam a Secretaria de Serviços, que, aliás, é profunda conhecedora das sérias dificuldades”.
O abaixo-assinado, com data de 15 de fevereiro, relata os mesmos problemas apontados no ofício pelo diretor, além de descrever que “a falta de espaço do edifício (...) torna o ambiente do PSI propenso ao risco de infecção cruzada” e que “são comuns e recorrentes os casos de roubos, furtos, invasões por meliantes, agressões, insultos e ameaças no PSI; como já é do conhecimento dos administradores”.
Situações absurdas
Os funcionários do PS Infantil e do NGA, com medo de represálias, escondem sua identidade, mas denunciam a relação - que ultrapassa o absurdo - com os bichos nas instalações do antigo PS “Dr. Janjão”. Um deles disse que, há 15 dias, um rato apareceu na sala de espera do NGA e causou um alvoroço entre os pacientes que aguardavam atendimento. Outro contou que diariamente precisa visitar as salas do PS Infantil para matar as baratas antes de as consultas começarem.
Explicações
Em nota, a Prefeitura afirmou que “a Vigilância Sanitária, em conjunto com a Divisão de Manutenção da Secretaria de Saúde, realizou inspeção no mês passado (janeiro) no Complexo do PS Infantil e NGA, e a constatação é que as sobras de alimentos consumidos nas proximidades do Complexo e as pessoas que alimentam as aves contribuem para o aparecimento e proliferação destes animais que procuram abrigo nas instalações”.
A administração municipal diz ainda que o recorrente aparecimento de bichos no prédio acontece nesta época do ano “devido às altas temperaturas e também em decorrência de reparos que estão sendo executados nas proximidades do imóvel”, apesar de o ofício do diretor informar que medidas “efetivas para adequação do prédio” são solicitadas há um ano.
O texto da Prefeitura que responde aos questionamentos do Comércio é semelhante ao ofício que a Secretaria de Saúde enviou à Divisão de PSs como resposta ao pedido de estudo de interdição.
Na nota, a secretária afirma ainda que o projeto para reforma do prédio está em fase de estudo, mas não fixa data para o início da obra. Já o pedido de interdição do prédio foi ignorado no documento.
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