Preço da saca do café explode na região de Franca e sobe 48%


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Foto de arquivo mostra terreiro de café em Pedregulho: em alta, saca passou de R$ 290 para R$ 430
Foto de arquivo mostra terreiro de café em Pedregulho: em alta, saca passou de R$ 290 para R$ 430
As altas temperaturas e o clima seco afetaram o desenvolvimento dos grãos e elevaram o preço do café nas principais regiões produtoras. Em Franca, o cenário não é diferente. A elevação do preço da saca esvaziou o estoque dos armazéns da cidade e da região. A saca de 60 kg, que no início do ano estava em R$ 290, terminou a última sexta-feira, dia 28 de fevereiro, cotada em R$ 430 - uma alta de 48%.
 
“A escassez de chuva no mês de janeiro é histórica. Vamos ter problema no parque cafeeiro que vai queimar e sentir bastante, por isso, o mercado reagiu dessa forma. Movimentamos em um mês o que costumamos movimentar em quatro meses. Para se ter uma ideia, exportadores estão comprando cafés para maio e junho, três meses para frente, e pedindo prazo para pagar”, disse o gerente comercial da Cocapil (Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci), Jaime Vilas Boas.
 
De acordo com o classificador de café Bruno Mendonça Malta, da Cooperfran, a previsão é que a produção de café na região de Franca desenvolva 20% a menos que o esperado. “Faltou chuva na época que o café tinha que granar e por isso dará muita quebra. Na nossa região, Mogiana, vai ter no mínimo 20% de quebra. O produtor, por exemplo, que ia colher 1.000 sacas vai colher 800. No Sul de Minas e Cerrado estão falando em até 40%. As últimas chuvas vão amenizar um pouco, mas não resolvem”, prevê Malta.
 
Comercialização
Apesar do bom preço, alguns cafeicultores estão lamentando. Muitos deles venderam seus estoques assim que os preços começaram a valorizar, acreditando que a alta não chegaria ao ponto que está. “Temos capacidade para 50 mil sacas, mas tem só 5% disso. Está bem vazio mesmo, porque quando bateu um bom preço, antes dessa forte alta, a maioria dos produtores vendeu. O preço está muito bom agora, mas quase todo mundo já vendeu”, disse Malta.
 
Em Ibiraci (MG), a situação também é esta. “Houve muita venda na faixa de R$ 300 a R$ 350. O volume maior de negócios saiu neste nível em janeiro. Agora no começo de fevereiro, que o preço alavancou, a maioria dos produtores já tinha vendido”, disse o gerente comercial da Cocapil.
 
Este foi o caso do cafeicultor Antônio Basso, de Pedregulho. Ele vendeu seu estoque há cerca de um mês e lamenta por não ter esperado a saca atingir o preço atual. “Vendi há 30 dias quando o preço estava em R$ 300. Não tenho mais armazenado. Tinha compromissos para arcar, por isso vendi, mas o preço ideal para conseguir arcar com tudo é o que está hoje”, disse Basso.
 

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