Samba de uma pessoa só


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É Carnaval. Aqui em Franca, rivalizando com os desfiles de escolas de samba que começaram neste sábado na Passarela do Samba ‘José Renato Rosa’, mais uma vez o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) é o tema central de um enredo típico, envolvendo trapalhadas, bate-boca e acusações, desta vez tendo como antagonistas a Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) e as demais entidades envolvendo comerciantes e comerciários do município. O motivo: as vagas de estacionamento que foram suprimidas no Centro da cidade e que causaram descontentamento desde o ano passado, quando o chefe do Executivo francano aplicou a medida.
 
De lá para cá, empresários e trabalhadores reclamam da queda nas vendas por causa da redução das vagas de estacionamento nas ruas do Centro. Os dois setores reclamam que, por causa da supressão, motoristas estão buscando outros pontos para suas compras, principalmente por causa da dificuldade de estacionar. O último ponto deste enredo, que ainda promete render bastante nos próximos meses, extrapolando a folia carnavalesca, foi a tentativa das entidades de classe em entregar um abaixo-assinado ao prefeito, com cinco mil assinaturas, pedindo o fim da proibição. Mais uma vez, não foram atendidos.
 
Diante da repercussão de sua atitude, Alexandre Ferreira, em vez de buscar uma composição com comerciantes e comerciários, que se dizem prejudicados, partiu para o ataque: fez duras críticas à Acif, acusando a entidade de ser ‘leviana’. Já os representantes da entidade que reúne empresários do comércio e indústria rebateu no mesmo tom e disse que o prefeito é ‘despreparado’ para o cargo que ocupa. Isso bastou para azedar ainda mais o relacionamento de parte a parte, jogando fora qualquer tentativa de acordo que agradasse a ambas as partes.
 
Mais uma vez, Alexandre Ferreira repete a mesma atuação em outros momentos destes catorze meses de sua administração: evita discutir, colocar em debate um assunto polêmico e que não diz respeito apenas à Prefeitura, mas também a uma grande parcela da população francana. Afinal, ao contrário do que afirma, Alexandre Ferreira não buscou uma ampla discussão antes de implantar a medida. Decisão tomada unilateralmente, corte de vagas implantado. E é disso que as entidades civis, Acif à frente, reclamam.
 
Não foi a primeira vez que a administração de Alexandre Ferreira agiu da mesma forma. Até hoje, ainda não explicou o acordo fechado com a empresa São José a portas fechadas, com claros prejuízos à comunidade que necessita do serviço. Este é um exemplo entre muitas decisões tomadas unilateralmente, sem buscar a opinião daqueles que lhe deram o mandato, mas não uma carta branca para, à moda de um imperador com plenos poderes, decidir sozinho. Um regime verdadeiramente democrático busca ouvir aqueles que são afetados por qualquer decisão que venha do Poder Executivo. Em Franca, isto não vem acontecendo, o que torna o enredo como samba de uma pessoa só.
 
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