Café de Pedregulho atravessa fronteiras e chega a Noruega


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Orlando e Abadia: melhoras na produção garantiram maior qualidade ao café que, hoje em dia, é vendido para outros países
Orlando e Abadia: melhoras na produção garantiram maior qualidade ao café que, hoje em dia, é vendido para outros países
O trabalho é a semente, amor e cuidado são os adubos e o fruto é um café servido até em terras estrangeiras. Para o casal de agricultores Orlando Beloti, 60, e Maria Abadia dos Santos Beloti, 55, é essa combinação que garante o sucesso do Sítio Ressaca Cafés Especiais, na zona rural de Pedregulho. O café produzido por eles alcançou nível de qualidade suficiente para ser exportado e é vendido até para países da Europa.
 
Orlando contou que plantava seus 13 hectares de café da mesma forma de quando ainda era criança e ajudava o pai na produção no mesmo sítio. Há três anos sentiu a necessidade de mudar. “Tem muito produtor de café na região e no país e o preço da saca comum não estava compensando. O café também uma hora está bom, outra está em crise, e se você não produz mercadoria boa fica difícil vender. Foi aí que pensei em entrar nesse ramo de cafés especiais e procurei ajuda”, disse ele, que hoje colhe em média 450 sacas de café por safra, o dobro do que colhia antes das mudanças.
 
Para melhorar a produção do sítio, os dois recorreram à ajuda da empresa Mogiana Assessoria em Cafés Especiais, especialistas em análise de café, e também do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). “Nossa região é repleta de cafés finos, porém falta quem os descubra e faça essa intermediação com os interessados de fora do país. Quando conhecemos o produto do seu Orlando, através do Sebrae, percebemos que tinha qualidade para ser exportado e o colocamos em contato com a exportadora. Hoje o café comum está cerca de R$ 400 a saca, e ele consegue vender por cerca de R$ 700 porque tem qualidade”, disse Júlio da Silva Ferreira, proprietário da empresa de assessoria.
 
A assessoria também foi a ponte entre o sítio e a empresa Bourbon, especializada em fazer mediação entre produtores de cafés finos brasileiros e compradores do exterior. “O Júlio nos enviou uma amostra do café do seu Orlando e vimos que o grão tinha potencial e alguns clientes nossos da Alemanha, Inglaterra e Noruega se interessaram. Foi assim que o café atravessou mares”, disse o gerente de qualidade da Bourbon, Mário Simão Filho.
 
Investimento
Orlando e Abadia fizeram alterações em sua plantação que vão desde o café no pé até a forma de ensacar. “Para melhorar a qualidade, tive que controlar a erosão, mudar os locais de secar e armazenar, investir em máquinas. Até a parte de meio ambiente melhorei no sítio, plantando árvores perto do riozinho que temos aqui e isso tudo quem me orientou foi o Sebrae”, disse ele.
 
Atualmente, 25% dos grãos produzidos são beneficiados, armazenados e ensacados automaticamente, além de passarem por uma máquina que qualifica o grão de acordo com o tamanho. “Acredito que com a safra de 2014 já vou conseguir quitar o dinheiro que apliquei aqui”, disse Orlando. Ele disse ainda que o trabalho do dia a dia do sítio é feito somente pelo casal, mas na época da colheita, eles contratam cerca de dez pessoas para fazer o trabalho. O café que não é exportado, é vendido no Brasil.
 
O casal tem ainda um poço com tilápias, planta milho, feijão e frutas como pêssego, figo, e goiaba, com as quais faz doces. “Não levo na cidade para vender, mas meus doces ficaram conhecidos e as pessoas vem até aqui no sítio para comprar”, disse Abadia, orgulhosa, e completou: “Tudo aqui é muito simples, mas tudo que produzimos é feito com amor e dedicação. Esse é o segredo”.

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