Atropelos marcam criação de cargo de diretor


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Jépy Pereira, presidente da Câmara Municipal de Franca
Jépy Pereira, presidente da Câmara Municipal de Franca
Poderia ter sido tudo mais simples e sem questionamento não fosse a capacidade da Câmara de criar polêmica sobre assuntos banais. O cargo de diretor-geral é visto pela maioria como uma necessidade. Isto é fato. O presidente, seja ele quem for, precisa de alguém capacitado e de confiança para ajudá-lo nas questões administrativas, o que ninguém discorda. Um profissional como esse merece um salário compatível com a complexidade e responsabilidade da função que assumirá. Mas para Jépy Pereira (PSDB) não é tão simples assim. O presidente complicou e cometeu uma série de atropelos. Sua maneira de tentar solucionar questões às pressas e de improviso jogou uma bomba nas mãos de todos os vereadores. Jépy, que promete encerrar a carreira política no fim da atual legislatura, diz que o impacto do desgaste inexiste. No entanto, para quem tem planos de continuar na política os efeitos são bem mais dramáticos.
 
Nada disso parece preocupar Jépy, que cumpre o sexto mandato como vereador. Reeleito presidente com o apoio da maioria dos colegas de plenário em dezembro de 2013, ele não goza da mesma unanimidade junto aos funcionários. É processado por nove servidores e acusado de assédio moral pelas advogadas.
 
Foi para tentar controlar os servidores “rebeldes” e atender seus interesses pessoais que o presidente planejou criar, em janeiro, os cargos de diretores financeiro, jurídico e geral. Ele direcionou as vagas, que seriam preenchidas por livre nomeação e exoneração da presidência. Antes mesmo da aprovação do projeto, Jépy já havia escolhido os ocupantes.
 
Sua intenção era que Célia Maria Teodoro Falleiros, funcionária aposentada da Câmara, assumisse a chefia das Finanças. Ela recusou. Jépy ofereceu o comando do Jurídico para Denílson Carvalho, que também declinou do convite. Com o fora de seus preferidos, o presidente desistiu de criar estes dois cargos e seguiu em frente apenas com a implantação da diretoria-geral.
 
Promessa
Antes mesmo de nascer, o cargo foi prometido a Jerônimo Sérgio Pinto, ex-secretário municipal e funcionário de carreira da Prefeitura. Encostado pelo prefeito, ele topou se mudar para a Câmara, mas impôs uma condição: não aceita ter o salário reduzido. Acordo feito, o projeto foi aprovado em sessão extraordinária realizada dia 23 de janeiro.
 
O plano de Jépy parecia estar dando certo, mas faltou “combinar” com o jurídico da Prefeitura. A solicitação de Jerônimo para que fosse mantido o prêmio que recebe por produtividade como fiscal recebeu parecer contrário da Procuradoria-Jurídica do município. Sua transferência para a Câmara ficou sob risco.
 
Para resolver o problema criado, Jépy Pereira encontrou uma alternativa pra lá de polêmica. Antes de sair de viagem com a família, na semana passada, ele apresentou projeto dando 100% de aumento ao diretor que sequer começou a trabalhar. O salário saltaria de R$ 3,1 mil para R$ 6.064,32. 
 
Reprovado
O presidente tenta convencer os vereadores sob a alegação de que a Câmara não terá gastos, pois é a Prefeitura quem fará o pagamento. É uma meia verdade. O dinheiro, de qualquer maneira, sairá dos cofres públicos, e virá dos impostos pagos pelos contribuintes.
 
Oito vereadores ouvidos pelo Comércio disseram ser contra a proposta, ainda sem data para ser votada. Além de dar aumento para um servidor que sequer tomou posse, também há questionamento sobre a legalidade do projeto que criou o cargo. Servidores da Câmara afirmam que a mudança deveria ter sido feita por meio de uma Lei Complementar e não por uma Lei Ordinária, como foi feito, o que torna a medida inconstitucional.

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