Ano passado, a economia brasileira cresceu 2,3%. O anúncio do IBGE, dia 27 de fevereiro, gerou entusiasmo de autoridades e cautela de líderes da oposição. Como lembrou a Central Única dos Trabalhadores, o resultado superou o desempenho de países desenvolvidos, como Estados Unidos e Reino Unido, que cresceram 1,9%; foi maior do que o crescimento do PIB da Alemanha, que ficou em 0,4%; maior do que o do Japão, que cresceu 1,6%, e bem melhor que nos países da Zona do Euro, onde a economia encolheu 0,4%. O senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, ‘o desempenho brasileiro é, no acumulado de três anos, o menor entre as principais economias emergentes’.
Entre os setores que contribuíram, o destaque foi da agropecuária, com alta de 7% sobre o ano passado. O setor de serviços teve alta de 2%, e a indústria, 1,3%. O crescimento em volume do valor adicionado da agropecuária decorreu do comportamento de várias culturas importantes, com destaque para soja (24,3%), cana de açúcar (10%), milho (13%) e trigo (30,4%).
Em 2012, o país não resistiu mais aos efeitos deletérios da recessão, e amargou um PIB de 0,9%. Economia estagnada, em 2012 o agronegócio carregou nos ombros a balança comercial do País. Em 2013, alavancou uma retomada de crescimento. É assim faz tempo. Entre 1992 e 2011, o saldo comercial do agronegócio cresceu 574%; o superávit continuou expressivo mesmo entre 1995 e 2000, quando o conjunto dos demais setores foi deficitário. É necessário reafirmar, portanto, o papel decisivo da produção agropecuária para o País.
Resta, aos líderes dentro do governo, e na sociedade civil como um todo, pensarem os rumos econômicos do país de modo a remover antigos entraves que ainda prejudicam a agropecuária de modo a estimular investimentos no setor - dos produtores, das instituições de pesquisa e empresas.
Eduardo Daher
Economista, diretor-executivo da Andef (Associação Nacional de Defesa Vegetal)
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