A mim é ininteligível, quando o consagrado escritor e poeta Ferreira Gullar trata de cubismo ou outras nuanças da arte, mas são muito claros ao meu entendimento seus escritos acerca de política, economia e, principalmente, sobre fatos que são dignos de seus registros, como seu artigo publicado no caderno “Ilustrada”, da Folha de S. Paulo, edição de 17/11/2013, relatando um caso que envolve ele e Vinicius de Morais.
Exilado, residia na Buenos Aires, capital da Argentina, onde compareceram, para um show, Vinicius e seu grupo musical, do qual fazia parte o pianista Tenório Júnior.
Numa tarde, Tenório deixou o hotel dizendo que iria a uma farmácia comprar remédio.
O admirado músico que – sabiam – estava mesmo era atrás de cocaína, não mais voltou. Solicitada a intervenção da embaixada brasileira no caso, esta informou que era impossível tomar qualquer medida, ante o punho de ferro com que agia a repressão naquele país.
Visitando Vinicius no hotel, Gullar foi informado do acontecimento e da impossibilidade de reencontrar o músico. Foi quando ele lembrou de consultar vidente argentina, sua conhecida, D. Haydê, e lhe expõe o ocorrido.
Informada do nome do desaparecido, a médium ficou muda, para só falar com a triste informação de que Tenório ou estava inconsciente ou morto, já que ela não conseguia contatá-lo. Pediu dois dias de prazo para localizá-lo. Antes de desligar, porém, disse a Ferreira: “diga a essa mocinha que está aí que saia da Argentina. Ela corre risco de vida”.
Ao fim do prazo solicitado, ligou para a médium que foi pronta: “a polícia espancou Tenório até matá-lo.” Ferreira Gullar interroga-se a si mesmo: “por que meio aquela mulher sabia de tudo isso, inclusive da presença da jovem no meu apartamento, situado tão distante do dela?”
Para nós, espíritas, pode tratar-se de mediunidade ou clarividência. A propósito, o pianista Tenório Júnior até hoje não foi encontrado.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espíritia de Franca
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