Acusada de ‘leviana’, Acif diz que prefeito é ‘despreparado’


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O fim de parte das vagas de estcionamento no Centro é o pivô do embate entre Prefeitura e Acif
O fim de parte das vagas de estcionamento no Centro é o pivô do embate entre Prefeitura e Acif
Um dia após Alexandre Ferreira (PSDB) fazer duras críticas à Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), acusando a entidade de ser “leviana”, a associação respondeu o prefeito, ontem, afirmando que ele é “despreparado”. A troca de farpas pública entre a administração municipal e uma das principais entidades civis da cidade - feita de ambos os lados por meio de notas à imprensa - se deu depois de a Acif entregar um abaixo-assinado na Prefeitura pedindo a volta das vagas de estacionamento no Centro.
 
José Alexandre Carmo Jorge (presidente da Acif), Michel Saad (presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Franca), Reginaldo Galvani (presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Franca e Região), Antônio Carlos Bonito (do Sindicato dos Empregados no Comércio de Franca e Região) e José Carlos Brigagão (presidente do Sindicato das Indústrias de Calçado de Franca) protocolaram o documento com 5 mil assinaturas e os motivos para o retorno das vagas, na última quinta-feira. Eles não foram recebidos pelo prefeito nem obtiveram resposta. Ficaram sabendo da posição da Prefeitura através da imprensa.
 
Por essa razão, a Acif se diz “decepcionada” com “o total descaso e despreparo” do poder público municipal. Para a associação, o prefeito foi “leviano” ao afirmar que se colocava à disposição para dialogar e encontrar novas soluções para o polêmico corte de vagas. “Os presidentes das entidades foram pessoalmente ao Gabinete da Prefeitura protocolar o ofício e, no entanto, obtiveram resposta por meio da imprensa. Em consideração aos que representam e ao trabalho desenvolvido em prol do crescimento da cidade, deveriam ser, no mínimo, convocados para uma reunião ou diálogo, conforme solicitado no ofício”, diz a nota encaminhada pela associação.
 
Empregos
A principal alegação da Acif para a volta das vagas de estacionamento é a queda no movimento no Centro que, segundo comerciantes, derrubou as vendas e causou demissões. Para a Prefeitura, “a instabilidade econômica e de empregos”, apresentada no ofício protocolado pela associação, não é real. “Segundo dados do Caged, Franca foi em janeiro a 13ª cidade do País em geração de empregos.”
 
A Acif rechaçou a justificativa do prefeito e ressaltou a importância de esclarecer “que a geração de emprego se deu pela indústria de transformação, com destaque para o setor calçadista, que abre novas vagas para recontratar os colaboradores demitidos no fim do ano”.
 
Audiência Pública
A maioria dos empresários afirma que não foi consultada sobre as alterações no Centro. A Prefeitura diz que esta afirmação é “desprovida”, pois uma audiência pública foi realizada na Acif e contou com a presença de “poucos” associados.
 
Além de afirmar que a Prefeitura entrou em contato apenas para pedir o auditório emprestado, a nota da Acif ironiza que a reunião aconteceu “por coincidência” no mesmo dia e horário de outro encontro de grande importância para os empresários - uma reunião na Câmara parar tratar das feiras itinerantes - o que “dividiu” as participações. A Acif vai além: diz que a Prefeitura mente ao afirmar que o projeto de corte de vagas foi votado entre os comerciantes. “Especificamente sobre as alterações no estacionamento, em nenhum momento houve votação e, sim, a apresentação do projeto. Cinco dias depois, a Prefeitura iniciou as mudanças no Centro.”
 
Estacionamento mais caro
Na nota à imprensa, a Prefeitura afirma que a Acif é “leviana” ao dizer que o aumento na tarifa da Área Azul aconteceu devido aos cortes de vagas. O motivo real seria “reposição inflacionária”. Já a Acif rebate, afirmando que “não entra no mérito do motivo do reajuste da Área Azul”. Considera “apenas” o ônus causado no acesso da população ao Centro, já que os estacionamentos particulares também subiram seus preços.
 
Fluxo de pessoas
Com base no tempo e na quantidade de assinaturas coletadas pelos empresários - 5 mil em “apenas” 5 dias -, a Prefeitura afirma que é “descompassada a afirmação sobre a redução do fluxo de pessoas na região”. A Acif garante que mais assinaturas teriam sido colhidas caso todas as vagas estivessem liberadas. “Causa espanto às entidades o desconhecimento do Executivo em relação à rotina e fluxo de pessoas que circulam pelo Centro. Lastimável hoje presenciarmos ruas e lojas vazias numa região que sempre foi pujante”, diz a nota da associação. 
 
O Centro
Ambas as notas tratam do que pode ou não ser feito na área central da cidade. De um lado, a Prefeitura diz ser impossível “alargar as ruas da região central, algumas abertas há quase dois séculos”. Do outro lado, a Acif diz que “até mesmo pelas suas características, estreitas e com prédios históricos, seria hilário pensar em alargar as ruas (do Centro), como mencionado na nota”.
 
Por fim, a Prefeitura informa que as considerações presentes na nota também estavam sendo encaminhadas às entidades que assinaram o abaixo-assinado. Já a Acif reitera que nenhuma das entidades recebeu qualquer resposta oficial da Prefeitura e lamenta, mais uma vez, a postura adotada pelo poder público municipal.
 

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