Comida de rua


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Custo me lembrar quais são as comidas típicas de nossas ruas. O pastel, bolotas, milho cozido na espiga, espetinho de carne
Custo me lembrar quais são as comidas típicas de nossas ruas. O pastel, bolotas, milho cozido na espiga, espetinho de carne
Dizem por aí que o Brasil não anda até que passe o Carnaval. Discordo. Eu, pelo menos, estou cansada de trabalhar - e toda a corrente de pessoas, que direta ou indiretamente participaram desse “trabalhar”, corresponderam da mesma forma. Seria bom a gente não se avacalhar tanto.
 
Por essas e outras, muito embora o sentido do Carnaval seja o da subversão e dos excessos, fato é que muita gente adora o Carnaval simplesmente porque tem-se mais sossego do que festas. Elas acontecem, é claro, mas o que se vê, ou melhor, o que não se vê, é gente, movimento. A cidade começa lentamente a se esvaziar, diminui-se o barulho e o rufar dos longínquos tambores de alguma escola de samba, parece pertencer a um outro tempo. Antes que a luxúria, a nostalgia...
 
Mas há quem ame verdadeiramente o Carnaval, não me esqueço de uma crônica do escritor Ruy Castro. Ele disse que é vizinho de porta de uma senhora muito religiosa, que usa a porta do seu beato apartamento para dependurar símbolos católicos nas diferentes épocas do ano. E ele não resiste, todo ano se utiliza da própria porta numa única época, para dependurar um único símbolo: no Carnaval, o saquinho com confetes.
 
Para esses amantes, deve ser ótima notícia a volta dos pequenos Carnavais de rua - desses eu nem sei se gosto, porque não os vi. Mas nutro imensa simpatia por tudo o que acontece nas ruas e praças. Democráticos, livres de cordões de isolamentos e daqueles uniformes tenebrosos e caros, designados de abadás.
 
E, muito embora a festa do Carnaval seja feita mais com bebida do que com comida, um movimento gastronômico vem sutilmente se incorporando a essas pequenas festas: as comidas de rua. Essas, praticamente impedidas de alimentar quem quer que seja, bem aproveita esses eventos esporádicos para mostrar a sua força. À parte discussões sanitárias, a vigilância sanitária, em todo o Brasil, estabeleceu leis rígidas e culturalmente vamos perdendo essa importante identidade. 
 
Portanto, é ótima ideia congregar as celebrações genuinamente brasileiras. Já custo me lembrar quais são as comidas típicas de nossas ruas. O pastel é certo, ele é quase uma nossa fantasia erótica, atingindo seu ápice na feira livre de domingo. Os Bolotas, quem sabe, seriam mais francanos que os cachorros-quentes? O milho cozido na espiga é, quem sabe, o clássico mais saudável da rua? O sanduíche de pernil seria uma lembrança da capital? O espetinho de carne, sinto-me segura em dizer: é nosso também, principalmente com a farofinha. A maçã do amor, a bala puxa, a pamonha, os churros seriam sobremesas de rua? Enfim, coisas que esquecemos, não reivindicamos e depositamos lá: no almoxarifado das coisas felizes acometidas pelo desuso. E tudo bem, se o preço a se pagar, é a moda de se chamar, comidas e carnavais de rua, de ecológicos e sustentáveis. 
 
 
DICA DA SEMANA
 
Salmão
 
Há sempre dia de churrasco para os carnívoros e eles são muitos, porque muitos são os dias para churrasco. Para os que não comem carne, mas comem peixe, há uma deliciosa maneira de se fazer um salmão, por exemplo. 
 
Pegue pedaços iguais de salmão, faça quadrados bem maiores de papel alumínio. Coloque as postas sobre o papel alumínio e jogue sobre eles: azeite, sal e um pouquinho de mel. 
 
Azeitonas pretas e casca de limão, de preferência siciliano. Atenção, o embrulho deverá ficar bem fechado, mas não justo. Há que circular ar dentro da trouxinha, isso é importante para conservar - e garantir - o sabor. 
 
Com a churrasqueira quente - uns dez minutos mais ou menos já serão suficientes. Abra os embrulhos com cuidado e salpique salsinha. Ficará bem saboroso.

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