Que Brasil é este?


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O caso envolvendo um jovem francano que perseguiu e conseguiu deter um ladrão que havia atacado uma mulher com o filho no colo, roubando seu celular, mostra que o Brasil hoje vive uma situação de inversão de valores. Afinal, a morte de Lucas César Silva de Oliveira, 22, conhecido como Tubarão, que sofreu um ataque cardíaco e morreu na noite de terça-feira, é um claro exemplo de como as coisas estão sendo encaradas no País. Logo após o fato, uma pequena parcela de “pensadores” de plantão ainda tem a desfaçatez de criticar e pedir punição para o jovem que imobilizou Lucas até a chegada da polícia. Num país sério, a situação seria outra: o herói seria exaltado, parabenizado e homenageado. Agora, aqui, os que se preocupam com a ação do menor esquecem-se da vítima do crime de Lucas: a mãe e o filho atacados em plena luz do dia.
 
E esta situação se estende para uma série de aspectos da vida brasileira. Ontem mesmo, por seis votos a cinco, o STF (Supremo Tribunal Federal) absolveu os réus do mensalão de formação de quadrilha, entre eles o chefe do esquema, José Dirceu; o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares; o ex-presidente do partido, José Genoino; e o operador do mensalão, o publicitário Marcos Valério. Ao contrário de todas as evidências, seis ministros nomeados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela presidente Dilma Rousseff jogaram no lixo todo o julgamento que havia lavado a alma da população brasileira no ano passado. Os réus petistas, criminosos tornados heróis pela militância partidária, safam-se de cumprir pena em regime fechado e agora chegam ao cúmulo de repetir que julgamento foi uma “farsa”.
 
Porém, embora ainda haja quem se paute pela lisura, os defensores dos réus da ação penal do mensalão acreditam na história vendida pelos mensaleiros petistas e transferiram uma fortuna para que paguem as multas milionárias que também são parte das penas. Uma situação paradoxal, mas ainda vivemos num país onde criminosos continuam à solta nas ruas e a população fechada intramuros, em suas residências, à maneira de presidiários. Pesquisas de opinião têm deixado clara a insatisfação dos brasileiros com o que vem ocorrendo nas últimas décadas. E os movimentos sociais sérios já se preparam para retomar as manifestações de rua.
 
Afinal, que Brasil é esse onde vivemos atualmente? Um País onde heróis são criticados e vilões vistos como heróis? Uma verdadeira inversão de valores. No Brasil, as coisas andam assim: bandidos são exaltados, vítimas são esquecidos e heróis são ridicularizados. É uma situação que não se pode permitir. A defesa da segurança e do bem estar do cidadão brasileiro, que trabalha e cumpre com os seus deveres de contribuinte, fica em segundo plano diante de pretensos direitos de ladrões, assassinos, corruptos e estelionatários. Uma sociedade deste tipo não se sustenta. Cabe a nós mudarmos esta situação, deixando clara a nossa insatisfação com este estado de coisas. E uma boa ocasião para isso será em outubro, quando elegeremos nossos representantes em níveis federal e estadual.
 
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