Família acusa médico do Pronto-socorro Municipal de descaso


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Débora da Silva Ramos, 22, diz que procurou o PS com fortes dores no peito e foi liberada após passar por cinco médicos
Débora da Silva Ramos, 22, diz que procurou o PS com fortes dores no peito e foi liberada após passar por cinco médicos
Mais uma vez médicos do Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” são acusados de descaso por uma família de paciente. Débora da Silva Ramos, 22, diz que procurou o PS com fortes dores no peito e foi liberada após passar por cinco médicos. Sem apresentar melhoras, procurou atendimento particular e foi internada no Hospital do Coração com inflamação na membrana que reveste o coração. Os familiares da jovem não se conformam com a situação.
 
Débora procurou o PS na última segunda-feira. A jovem acreditava que estava sentindo um mal-estar, mas logo começou a ter dificuldades para respirar. “Não estava aguentando mais de tanta dor, não estava nem conseguindo respirar direito. Fomos para o Pronto-socorro e o primeiro médico que me atendeu pediu raio-x e eletro. Eu fiz e o segundo médico, que viu os exames, disse que não tinha dado nada. Como a dor não passava, me colocou no soro.”
 
Com a troca de plantões, um terceiro médico pediu novos exames. Com o resultado, segundo Débora, surgiu a suspeita de um possível infarto. “Quando o exame chegou, estava muito alterado. Acharam até que era alguém de mais idade. Eu fiquei desesperada e sem entender. Fizeram novamente outro eletro e colheram sangue também. Perguntei por que estava colhendo de novo, e ela (a enfermeira) me disse que era para ver se eu não estava tendo um infarto”, disse Débora.
 
Os resultados se repetiram, mas o quinto médico que atendeu a jovem no PS não teria dado “tanta importância” a eles. Segundo Débora, o profissional disse que ela estava com uma distensão muscular e a liberou. “Chegou outro médico, um cardiologista, e foi me ver. Ele perguntou o que eu estava sentindo e eu expliquei, mas ele disse que era apenas distensão muscular. Fiquei sem entender, mas ele mandou tirar o soro e meu deu alta. Me receitou paracetamol e uma faixa abdominal. Disse que continuaria doendo por mais uns 15 dias.”
 
Com a jovem em casa e com dores, sua família tentou agendar consulta com um cardiologista na UBS (Unidade Básica de Saúde), mas só havia vaga no fim de março. Mesmo sem condições, resolveram procurar atendimento particular. Assim que viu os exames, o médico foi incisivo na necessidade de internar a jovem. “Resolvemos pagar a consulta. Fui à tarde e levei todos os exames que tinha feito. Repeti os exames lá e, na hora, ele disse que eu tinha que internar para passar por tratamento. Assustei porque um fala que é distensão muscular e o outro fala que eu tenho que internar”, disse Débora.
 
Para ser internada no Hospital do Coração, Débora teve de retornar ao PS e ser encaminhada pelos médicos da rede pública. Mesmo com o diagnóstico do médico particular, o profissional que a atendeu no PS teria dito que, por ele, a jovem não precisava ser internada. Como a vaga já estava garantida, Débora foi encaminhada, realizou novos exames e ficou internada até a manhã de ontem, recebendo tratamento contra uma pericardite aguda e também uma infecção de urina. A jovem continua o tratamento em casa.
 
“Eu quero que a secretária de Saúde (Rosane Moscardini) me responda se seria fatalidade uma jovem de 22 anos morrer depois de passar por vários médicos no Pronto-socorro? Se tivéssemos ficados quietos, só dado o remédio e enfaixado como o médico do PS mandou, a Débora teria infartado e morrido com 22 anos”, disse a sogra da moça, Janete Barbosa.
 
Outro lado
De acordo com o chefe do PS Municipal, Renato Del Bianco, os exames realizados em Débora no Hospital do Coração não confirmaram a pericardite e ela teve alta com a mesma medicação dada no Pronto-socorro: aspirina. “A paciente apresentava uma dor torácica não característica de cardiopatia, foi examinada, medicada e realizados nove exames, RX de tórax e eletro”, disse por meio de nota. 
 
“A alta do PS foi dada por um médico com vasta experiência cardíaca, pois o mesmo é intensivista. Mesmo contrariado, o segundo médico a encaminhou ao Hospital do Coração com suspeita de lesão muscular a esclarecer. Conclui-se que a paciente poderia ser tratada ambulatorialmente sem necessidade de internação, pois a mesma naquele momento não corria nenhum risco de morte”, conclui Del Bianco.

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