Vereadores são contra aumento para diretor da Câmara


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No que depender do apoio dos vereadores, o aumento de salário para o recém-criado cargo de diretor-geral da Câmara não deve sair. Na sessão da última terça-feira, foi apresentado um projeto de lei de autoria do presidente do Legislativo, Jépy Pereira (PSDB), que quer equiparar a função à de secretário municipal, fazendo com que o salário inicial de diretor-geral salte de R$ 3,1 mil para mais de R$ 6 mil, um aumento de quase 100%. Dos 15 vereadores, oito disseram ser contra a proposta. Outros três afirmaram que ainda não se decidiram. Mas, a princípio, não veem com bons olhos o aumento. 
 
Entre os mais radicais, está Valéria Marson (PSDB). “Esse projeto é um absurdo completo. O vereador que votar favorável estará enterrando seu mandato no cemitério da Saudade.”
 
Para ela, o projeto só está sendo apresentado para corrigir uma “falha” de Jépy. “Ele disse aos vereadores que o Jerônimo (Sérgio Pinto, ex-secretário cotado para ocupar o cargo) viria trabalhar sem custos para a Câmara, seria cedido pela Prefeitura. Agora o presidente viu que isso não é possível e quer consertar o erro à custa do orçamento do Legislativo. Sou contra.”
 
A mesma opinião é compartilhada por Márcio do Flórida (PT). “Eu já votei contra a criação do cargo. Para mim, esse aumento é só mais um absurdo. Sou contra, claro.” O ex-líder do governo Adérmis Marini (PSDB) também reforçou o coro dos que são contra. “O combinado na criação do cargo não foi esse. Não foi isso que foi dito aos vereadores. Sou contra.”
 
Até o vice-presidente da Câmara, Josivaldo Bahia (PTB), se posicionou contra o aumento. “É um aumento muito grande para qualquer um. Reajustar o salário até aceito. Agora 100% de aumento, eu não voto nem a pau.” 
 
No grupo dos indecisos, Daniel Radaeli (PMDB) e Luiz Cordeiro (PSB) disseram que ainda não tiveram acesso ao projeto e que é preciso discutir mais o assunto, mas estão propensos a votar contra. “Não tive acesso ao projeto. Não conversei com o Jépy a respeito. Mas pelo que soube, não vejo a situação com bons olhos. É um aumento que chama a atenção e que levanta desconfiança”, disse Radaeli.
 
Dos 15 vereadores, apenas dois, além do próprio autor da proposta, se disseram favoráveis à concessão do aumento. Marco Garcia (PPS) disse que o salário de R$ 3,1 mil determinado em lei para o cargo é uma “merreca”. “A função exige grande responsabilidade. O diretor-geral tem que ter experiência e formação em nível superior. O salário de R$ 3,1 mil é quase o mesmo pago a assessores. Não é justo por conta da responsabilidade do cargo. Por isso, sou a favor, sim, do reajuste.” A mesma posição tem o vereador Nirley de Souza (DEM). “Por esse salário de R$ 3,1 mil, ninguém qualificado vai querer assumir essa função.”
 
O projeto apresentado na última sessão da Câmara ainda não tem data para ser discutido e votado.
 
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