Comércio externo e questões dele decorrentes são bem conhecidos do empresariado francano. Desde os tempos em que o governo criou o ‘exportar é a solução’, o industrial da cidade engajou-se nessa luta e vem buscando saídas para o exterior como demonstração da capacidade de criar produtos, mobilizar fatores de produção e enfrentar mercados mundiais. Um luta e tanto, que já dura quase meio século.
O país, como um todo, apresentou — pela primeira vez em vinte anos — saldo negativo na balança comercial. Não nos preparamos para tempos de vacas magras que seguiriam os bons ventos que sopraram até 2008, quando estourou a crise financeira que se espalhou dos Estados Unidos para o mundo, com a queda do Banco Lehman Brothers.
O déficit da balança comercial brasileira em janeiro é o pior resultado mensal da série histórica iniciada em 1993. A balança registrou déficit de US$ 4,035 bilhões no mês passado, quando as exportações somaram US$ 15,968 bilhões e as importações, US$ 20,003 bilhões. Carência de incentivos? Câmbio sobrevalorizado?
Segundo o Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), com base nos números da balança comercial, em 2013, dos quatro tipos de produtos típicos da indústria de transformação classificados por intensidade tecnológica, o Brasil só conseguiu superávit no comércio dos bens de baixa intensidade, como alimentos, bebidas, produtos madeireiros, papel, celulose, têxteis, vestuários e calçados. O comércio de bens de alta intensidade tecnológica registrou déficit de US$ 32,0 bilhões. Se já não era grande nossa participação no comércio mundial, o desprezo com que os governos dos últimos doze anos trataram o relacionamento com os principais parceiros, a começar pelos Estados Unidos, fez a situação deteriorar-se. Resultado: estamos perdendo espaço no comércio mundial.
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA/USP
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