Vinte anos de estabilidade


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Implantado em 27 de fevereiro de 1994 no governo Itamar Franco (1992-1994), com a edição da Medida Provisória 434, o Plano Real foi um grande programa de estabilização econômica que teve como objetivo controlar a hiperinflação que atingia País. A mudança, capitaneada pelo então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso (que depois se elegeria presidente da República) trouxe ao Brasil uma estabilidade que se manteve durante o governo de Lula e vem até hoje, graças à manutenção das colunas mestras do plano criado 20 anos atrás. A hiperinflação daquela época, de cerca de 30% ao mês, foi debelada com as medidas do Plano Real, que enterrou todas as medidas ortodoxas e heterodoxas que vinham sendo aplicadas à economia brasileira nos anos anteriores, sem resultado.
 
Isso não quer dizer que a situação, hoje, está controlada. Nos dois últimos anos, a preocupação com o crescimento da inflação tem se tornado evidente, com o índice extrapolando o centro da meta e batendo perto dos 7%. Quem tem menos de 25 anos não conheceu o período em que os preços eram reajustados diariamente em supermercados e lojas. Na época, a famosa etiquetadora de preços funcionava diuturnamente. Com isso, os salários passaram a não acompanhar as perdas com a inflação e criou-se até um gatilho automático, ainda na década de 1980, para tentar contemplar o que se perdia com a inflação. Porém, os preços continuavam subindo diariamente e os salários um mês após.
 
Somente com o advento do Plano Real é que o País passou a viver um período de estabilidade duradoura. Ao contrário de muitos ‘profetas do caos’, na época, o plano mostrou-se consistente e, nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso (1995-1998 e 1999-2002), manteve não só a inflação próxima de zero mas também conseguiu recuperar o poder de compra dos salários. O cenário perdura ainda hoje, com estabilidade da moeda, inflação baixa e capacidade de investimento a atestar o acerto das medidas tomadas há 20 anos.
 
Porém, todo o trabalho iniciado a 27 de fevereiro de 1994 não se mantém por si. Assim como o próprio governo tem apregoado, a vigilância deve ser permanente para evitar que o custo de vida suba além do desejado. Além disso, medidas complementares ainda são necessárias para que a situação não saia do controle. Números relacionados ao crescimento da economia brasileira continuam abaixo do esperado pela equipe econômica, o descontrole das contas públicas é patente, os investimentos estão sendo freados, causando um efeito dominó que atinge o setor produtivo. Uma mudança de rumo no sentido de manter os benefícios conseguidos pelo Plano Real é desejável. Do contrário, podemos ver novamente a inflação (que era associada a um dragão) subir, sair do controle e transformar novamente a economia brasileira numa roleta onde todos perdem: governo, economia e população. Que os 20 anos do Plano Real sejam comemorados com a certeza de que as próximas décadas continuem exitosas nesse sentido.
 
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