Em sessão extraordinária realizada dia 23 de janeiro, a Câmara aprovou projeto interno autorizando a criação do cargo de diretor-geral. O salário previsto era de R$ 3,1 mil. A contratação é feita por livre nomeação e exoneração da presidência. A função sequer foi preenchida e o presidente Jépy Pereira (PSDB) apresentou proposta dando 100% de aumento ao diretor, que ainda não sabe quando tomará posse. O “reajustaço” será votado pelos vereadores nas próximas sessões.
O projeto visa equiparar o salário do diretor-geral com o recebido pelos secretários municipais, R$ 6.064,32. “O salário inicialmente previsto está incompatível com a complexidade e responsabilidade do cargo”, escreveu Jépy Pereira na justificativa apresentada aos vereadores.
A função, que era ocupada por servidores da Câmara, foi extinta em 2008 por causa da acirrada disputa interna que havia. Jépy resolveu ressuscitá-la para tentar ter sob seu controle um grupo de funcionários, com quem trava uma guerra interna. A ação civil pública que tramita contra ele é assinada por nove servidores. Só as advogadas da Câmara movem três processos contra o presidente.
Antes mesmo de o projeto ter sido aprovado em janeiro, Jépy já havia escolhido o ocupante. Ele pretende que o diretor-geral seja Jerônimo Sérgio Pinto, secretário de Administração no governo Sidnei Rocha e, hoje, encostado na Prefeitura por Alexandre Ferreira (PSDB).
Jerônimo condicionou sua transferência do Executivo para o Legislativo desde que não tenha prejuízo nos seus vencimentos. Sua solicitação para que mantivesse o prêmio que recebe por produtividade como fiscal concursado do município recebeu parecer contrário da Procuradoria-Jurídica da Prefeitura. Por causa do conflito, o cargo de diretor está vago há mais de um mês.
Coincidência ou não, Jépy Pereira apresentou o projeto para dobrar o salário do diretor em função do “extenso rol de atribuições” que o responsável exercerá.
O presidente faltou à sessão de ontem e nenhuma explicação sobre sua proposta de aumento foi dada. Jerônimo disse que não será beneficiado. “A eventual aprovação do reajuste não altera em nada minha vida. Não haverá interferência, pois recebo do município e tenho garantias individuais conquistadas pelos anos de serviços prestados como servidor concursado.” Ele afirmou que aguarda apenas a autorização do prefeito para assumir a função na Câmara.
Assédio
Durante a sessão de ontem, o vereador Luiz Vergara (PSB) pediu para que seja realizada reunião com a finalidade de discutir os problemas de relacionamento nas dependências da Câmara. “A cidade precisa saber o que está acontecendo. É uma situação agressiva. Os servidores são ameaçados e assediados diariamente.”
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.