‘Fatalidades na saúde acontecem e vão continuar acontecendo’, diz secretária


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A secretária de Saúde, Rosane Moscardini, na entrevista coletiva de ontem à tarde: ‘Não somos bandidos. Não estamos brincando’
A secretária de Saúde, Rosane Moscardini, na entrevista coletiva de ontem à tarde: ‘Não somos bandidos. Não estamos brincando’
A secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, resolveu romper o silêncio. Nesta terça-feira, em uma entrevista coletiva, rebateu as afirmações feitas pelo delegado regional do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), Lavínio Camarim, e negou que o Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” tenha problemas. Para ela, as três mortes dos últimos três meses são “fatalidades”. 
 
A entrevista foi convocada na manhã de ontem depois de a secretária ficar quase uma semana sem atender à imprensa. Acompanhada dos diretores do Pronto-socorro, Rosane Moscardini começou apresentando um relatório com os números da saúde pública em Franca. “Mais de 70% da população da cidade depende da rede SUS. No ano passado, fizemos mais de 1,5 milhão de consultas.”
 
A secretária questionou o delegado regional do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), Lavínio Camarim, que havia apontado diversos problemas no atendimento prestado pelo PS. “Não temos falta de medicamentos. Temos todos os equipamentos exigidos para o atendimento de emergência, inclusive, com uma UTI Móvel à disposição. Noventa por cento dos nossos médicos têm especialização ou residência médica. O restante conta com mais de 10 anos de experiência em pronto-atendimento. A realidade que o Cremesp descreve não é a nossa”, disse. 
 
A secretária ainda afirmou que o PS não passou por vistoria do Conselho. “O novo pronto-socorro foi inaugurado em julho de 2013 e não passamos por nenhuma vistoria. Estou agora oficiando o Cremesp de Ribeirão Preto para que venha nos fiscalizar quando quiser.”
 
Rosane Moscardini disse que as críticas feitas à rede pública de Saúde são “injustas”. “Estamos sendo massacrados pela imprensa. Não somos bandidos. Não é honesto conosco o que tem sido veiculado a respeito do Pronto-socorro. Não estamos brincando.”
 
Segundo ela, desde que as denúncias se tornaram públicas, os profissionais da área da Saúde têm sido alvo de questionamentos e críticas. “Eu mesma, esses dias durante uma visita a uma UBS, fui abordada por uma senhora que disse que não quer ser levada para o pronto-socorro, porque tem medo de morrer, porque ela leu o que está no jornal. É muito triste. A gente trabalha muito para salvar vidas e não deveria ser tratado como bandido como a gente tem sido.”
 
A secretária atribuiu as três mortes a “fatalidades” devido ao volume de atendimentos prestados. “Atendemos mais de 30 mil pacientes por mês. São mais de mil pessoas passando pelo pronto-socorro todos os dias. Fatalidades acontecem e vão continuar acontecendo.” Ainda segundo a própria secretária, por dia na escala, trabalham 27 médicos. 
 
Para ela, as pessoas “precisam entender que a medicina não é exata. É biológica”. “Tem paciente que vai entrar no Pronto-socorro e sair super bem. Da mesma forma, vai ter paciente que vai agravar ou piorar. Faz parte da saúde pública, faz parte da vida. Não somos nós que inventamos isso”, disse. 
 
Rosane voltou a afirmar que nenhum dos médicos envolvidos no atendimento das três mulheres mortas será afastado. “Nós adotamos a política aqui de não afastar ninguém enquanto não houver a comprovação da culpa ou da conduta dolosa. Enquanto a Polícia ou a Justiça não disser que eles são culpados, eles continuarão trabalhando.”
 
As mortes
Dos cerca de 40 minutos que durou a entrevista coletiva, apenas oito foram usados para comentar as mortes suspeitas. A respeito do caso de Luara Prieto, 25, que morreu depois de passar oito vezes pelo pronto-socorro, o diretor-técnico do PS, Renato Del Bianco, disse ter “certeza absoluta” de que não houve erro. Ele foi um dos médicos que atenderam a jovem. “Ela chegou com um quadro de infecção leve. Depois voltou com os exames alterados e foi encaminhada para internação. Tenho certeza absoluta de que não houve erro.”
 
Sobre a morte de Clésia de Araújo Novais, 31, o médico afirmou que, ao contrário do que diz o marido da paciente, ela foi sim examinada. “Fizemos 14 exames, sendo três glicemias. Ela não recebeu glicose e, sim, insulina. O caso dela gerou muitas dúvidas e foi exaustivamente discutido.”
 
Sobre Kelly Cristina Souza, 27, que morreu depois de ser operada na Santa Casa - a Prefeitura é cogestora do hospital -, não houve explicações.

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