‘Eu teria todos os cuidados possíveis’, diz médico sobre PS


| Tempo de leitura: 2 min
Delegado do Cremesp em Franca, Lavínio Camarim, em foto de arquivo: preocupação ‘cada vez maior’
Delegado do Cremesp em Franca, Lavínio Camarim, em foto de arquivo: preocupação ‘cada vez maior’
“Eu teria todos os cuidados possíveis antes de levar alguém para ser atendido em um local que não tem as condições adequadas.” A afirmação é do delegado do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), Lavínio Camarim. Convidado para participar do programa Hora da Verdade, nesta segunda-feira, o médico disse temer pela vida de quem depende do sistema público de saúde de Franca. 
 
Ao comentar as últimas denúncias de negligência e erro médico no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” que resultaram na morte de três jovens em menos de três meses, Camarim, que já foi secretário municipal de Saúde e hoje ocupa o principal posto do Cremesp em Franca, disse que o PS não reúne as condições adequadas para o atendimento à população. “Temos uma preocupação cada vez maior (com o atendimento prestado), porque o número de reclamações não para de crescer. Isso acontece porque ou a população está mais consciente ou as ocorrências de erros, ou melhor, não acertos por parte dos médicos aumentaram.”
 
Segundo o delegado, o Cremesp faz vistorias periódicas no Pronto-socorro e já identificou diversas irregularidades. Entre elas: grande volume de atendimento com número insuficiente de profissionais; condições inadequadas de trabalho; falta de medicamentos e equipamentos básicos para o dia-a-dia; falta de treinamento e aperfeiçoamento dos profissionais que trabalham com urgências; formação deficitária de alguns colegas que, muitas das vezes, não têm a experiência adequada em trabalhar com urgências e emergências.
 
De acordo com o delegado, todos os problemas identificados foram comunicados à Secretaria Municipal de Saúde para adoção das devidas providências. “Sempre enviamos os relatórios às autoridades para as medidas cabíveis. Reconhecemos as dificuldades, mas os problemas encontrados sempre foram muitos.”
 
Ainda durante a entrevista à rádio Difusora na manhã dessa segunda-feira, apesar de suas declarações, Camarim concordou com a decisão da Secretaria Municipal de Saúde de não afastar os médicos envolvidos nos três casos de morte. “Temos que ter cautela. A Constituição garante o direito à ampla defesa. Depois o que acontece se afastarmos um profissional e mais tarde concluírem que ele não teve culpa nenhuma, que sua conduta estava correta? Você pode até ser processado criminalmente e ser obrigado a pagar uma indenização gigantesca.”
 
A secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, foi procurada para informar quais medidas estão sendo adotadas diante dos apontamentos feitos pelo Cremesp, mas não foi encontrada. Sua secretária informou que ela estava em uma audiência fora da secretaria e que retornaria a ligação. No final da tarde, um novo contato foi feito, mas ninguém atendeu a ligação na secretaria. Nos dois celulares de Rosane Moscardini, a ligação foi encaminhada para a caixa postal.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários