Confusão eleitoral


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As eleições proporcionais de outubro próximo vão deixar bastante evidente a verdadeira bagunça do sistema político brasileiro. Atualmente, de acordo com o próprio TSE (Tribunal Superior Eleitoral), existem atualmente no Brasil 32 legendas partidárias que permitem esta verdadeira salada que torna insana qualquer tentativa de entender o que se passa na nossa política. Afinal, a maioria dos partidos é formada por legendas de aluguel ou que barganham em troca de tempo na televisão. Uma ampla reforma política é necessária para tornar mais racional e menos confuso qualquer processo eleitoral.
 
Nos dias de hoje, veem-se situações discrepantes que tornam ao leigo um balaio de gatos qualquer pleito que se faça no País. Adversários de ontem tornam-se hoje aliados fiéis. Companheiros de primeira hora viram antagonistas de uma hora para outra. E por aí vai o sistema político brasileiro, onde ideologias são jogadas no lixo e pensamentos afins são ignorados por causa de um bem (?) maior: o poder a qualquer preço. Quem se dispõe a enfrentar este jogo acaba refém, já que o fisiologismo supera os interesses nacionais. A busca por benefícios que permitam negociatas e tramoias nos porões palacianos é muito mais importantes do que os anseios da população brasileira.
 
Este quadro precisa mudar, com urgência. O brasileiro não aceita mais que se criem alianças que nada têm a ver com o interesse comum. E esta situação é causada pelo regime político em que vivemos, onde legendas surgem do nada e não consideram os interesses comuns daqueles que as compõem. A imprensa já demonstrou, em diversas ocasiões, que há partidos que copiam linha por linha, palavra por palavra, vírgula por vírgula dos estatutos de legendas já consolidadas no País. O dinheiro distribuído pelo Fundo Partidário é um atrativo para muitos, assim como os segundos do horário eleitoral gratuito, que servem como principal moeda de barganha em qualquer aliança.
 
Até junho, qualquer pessoa que não conheça os meandros de nossa política deverá ficar ainda mais confusa. Um exemplo claro está no Rio de Janeiro. Em razão de um embate entre PMDB e PT no Estado, candidatos aliados em nível nacional estarão em lados opostos. O PT lançou candidato próprio ao governo e o PMDB também. Por isso, este último já deixou claro que deverá abrir seus palanques no Rio para o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves. Porém, em nível nacional, o PMDB ocupará a vice-presidência da chapa de Dilma Rousseff, possivelmente mantendo Michel Temer no posto. E o mesmo deve se repetir em diversos outros Estados, onde ninguém saberá quem apoia quem. São exemplos de que a situação pode se tornar ainda mais complicada desde que o sistema político brasileiro não sofra uma completa reformulação, principalmente restringindo a criação de legendas de aluguel que só existem para o fechamento de alianças totalmente danosas ao País. Os 39 ministérios de Dilma (e a máquina que os sustentam) são uma clara consequência disso tudo.
 
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