Morreu na sexta-feira, 21 de fevereiro, por volta de 8 horas, Lázaro Zepherino de Paula, o Lazinho da Pastinha, aos 77 anos, vitimado por infarto fulminante do miocárdio. Morreu em pleno exercício de serviços para seus amigos de muitos anos da Padaria Rossato. O Samu chegou a ser acionado, mas não havia o que fazer.
Deixou viúva, após 38 anos de casamento, Olga Eurípeda Schefler. Do enlace, cinco filhos (Cristina, falecida; Carmem, Jorge Luís, Leia, casada com Luiz Cláudio Leite Lemos), oito netos (Rafaela, Luís Júnior, Guilherme, Arthur, Vitória, João Vitor, André Luís e Maiara) e dois bisnetos, Júlia e Leonardo.
Lazinho, com seu jeito bom de ser, tornou-se personagem das mais conhecidos da praça Barão da Franca, tradicional reduto de aposentados, reunião de amigos para o cafezinho e a contação de histórias, e centro de comércio. Ali, anotava jogos de loteria e convivia com gente de todas as classes sociais. Reconhecido como contador de histórias sobre a cidade que viu crescer — morou por muitos anos no Jardim Consolação — era um ‘arquivo vivo’, segundo sua filha Gisele. Sabia tudo, em detalhes, sobre cada construção, época, quem havia feito. A ocupação física dos espaços da cidade, ‘anotava’ com a excelente memória que possuía. “Como andava a pé, papai parava quando algo lhe chamava a atenção. Parte do conhecimento sobre a história da cidade se vai com ele’, disse ela.
Fisicamente, ‘parecia-se com o professor Luiz Cruz’, de quem gostava muito e a quem chamava de irmão todas as vezes em que se encontravam. Nos últimos quinze anos, paralelamente à anotação de jogos, atuou na padaria. ‘Lá, ainda segundo Gisele, fazia um pouco de tudo. Auxiliava os padeiros, ajudava na entrega, era o office boy da administração e não havia nada que se recusasse a fazer.”
Antes da aposentadoria, trabalhou na Casa Barbosa e na Amazonas Produtos para Calçados. Dono de fala fácil e gestual característico, Lazinho tratava democraticamente ‘mendigos e doutores’, disse Gisele. Tinha orgulho da amizade que mantinha com o ex-prefeito José Lancha e com o deputado Gilson de Souza, mas também honrava moradores de rua ou fosse lá quem fosse. Foi também um esportista. Andar a pé era sua forma de manter-se bem de saúde. Vibrava com o Palmeiras e a Francana. Podia-se vê-lo sempre no mesmo lugar do Lanchão, acompanhando as partidas de seu time do coração.
Adorava cantar músicas sertanejas. Acordava por volta de 4 horas, preparava-se e ia para a padaria, que fica na rua Francisco Ozanan, entre o clube da Francana e o Cemitério da Saudade. Parava, invariavelmente, quando passava pelo Lar São Vicente de Paula. Gostava de estar com os internos. Com um deles, José Tercílio e seu violão, cantava e, depois, seguia ao trabalho. Tercílio, aliás, foi se despedir do amigo, no velório da instituição. Soltou lá a voz, em homenagem a Lazinho, e se disse ‘triste, por perder o parceiro’. Rodrigo Peres, gestor de patrimônio da Sociedade São Vicente de Paulo, afirmou que Lazinho ‘era muito querido dos internos. Um dia antes de sua morte, quinta-feira, 20, a instituição comemorou, com faz todos os meses, os aniversários do mês. Lazinho passou lá, conversou, comeu bolo e tomou refrigerante junto a seus amigos. Não voltará mais, infelizmente...’ O sepultamento aconteceu na manhã de sexta-feira, 22, com grande acompanhamento, no Cemitério Parque Jardim das Oliveiras.
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