Sem perder a ternura


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Bastou a certeza de que os denunciados matadores do cinegrafista vão ficar presos até o julgamento para que a manifestação contra o aumento de passagens de ônibus, trens e barcas, no Rio de Janeiro, transcorresse pacífica. Os desordeiros, mesmo presentes, não agiram. Pena que tenha sido preciso morrer um inocente — que não era parte do conflito e estava ali como jornalista, informando a Nação — para que houvesse a percepção, que deveria estar automaticamente implícita no pensamento da população.
 
Se as autoridades policiais e, principalmente, o Poder Judiciário, não facilitarem a liberação daqueles, com certeza, os black blocs poderão se tornar apenas grupo vestido de preto, e a sociedade estará livre de suas mazelas. O mesmo tratamento deveria ser aplicado a detidos por queimar ônibus, depredar pedágios, invadir e vandalizar propriedades.
 
Há de se compreender que movimentos sociais e suas bandeiras podem ser legítimos, mas não são imunes ao cumprimento do ordenamento jurídico. Seus integrantes, antes de movimentadores sociais, são cidadãos e, como tal, devem ser responsabilizados. É preciso ter consequências quando se ataca repartições, terminais de transporte, agências bancárias, veículos e quaisquer propriedades. O Estado tem que reprimir e entregá-los à Justiça para o devido processo legal. Como tem ocorrido — liberação quase imediata de baderneiros — sentem-se fortalecidos e incentivados a continuar.
 
Para que a democracia brasileira sobreviva e conduza à sonhada paz social, é preciso que governos cumpram suas obrigações. Respeitem, ouçam e acatem o que dizem os movimentos sociais, mas não tolere depredações, fogo em veículos, interrupções de vias públicas importantes e outras ações cujo objetivo principal é só provocar o caos... 
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Articulista

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