Atualmente, sou fiel a um padaria de Moema, São Paulo. Lá, todos os dias, um rapaz simples e simpático que veio do Nordeste, me recepciona com largo sorriso e grita para que preparem meu suco de melancia.
Semana passada, quando trouxe o suco, viu meu celular, antigo, que nem a internet acessa. ‘E aí doutor? O senhor não gosta de estar conectado?’. Sem me dar tempo, tirou do bolso aparelho completo, com o símbolo da maçã, e disse: ‘Vai sair um mais moderno, não vejo a hora de trocar’. Balancei a cabeça em sinal de aprovação.
Como almoço sozinho e não tenho internet no celular, mergulhei em reflexão que passava pelo rapaz, atendente de padaria, vindo do Nordeste em busca de vida melhor em São Paulo, esbanjando tecnologia e ansioso para comprar outro mais moderno. Alguma coisa mudou neste país.
Por mais que oposição grite, a presidenta Dilma — segundo pesquisa CNT/MDA — obteria 43,7% das intenções de voto se a eleição fosse naquele dia.
E, segundo a Serasa Experian e o Instituto Data Popular, se a classe média brasileira fosse um país, seria o 12º do mundo em população e 18ª nação em consumo, podendo integrar o G20.
A grande verdade é que a classe média e a classe C, que gastaram mais de R$ 1,17 trilhão em 2013 e movimentaram 58% do crédito no Brasil, nunca viveram um consumo digno como este e não querem se aventurar em tímidas propostas da oposição.
Pode até não ser bom, já que em democracia, alternância de poder é saudável, mas, concordemos: celular no bolso e eletrodomésticos novos falam mais alto.
Ao ir para o caixa, percebi que o avermelhado suco de melancia me parece combinar com este país de Dilma.
Sugere que não há mensaleiro que abale milhões trabalhadores humildes que hoje têm vida melhor.
E a pobre oposição, até agora não encontrou discurso bom e doce como meu suco diário de melancia... E assim vamos...
Fernando Rizzolo
Advogado, jornalista
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