O garçom e meu celular


| Tempo de leitura: 2 min
Atualmente, sou fiel a um padaria de Moema, São Paulo. Lá, todos os dias, um rapaz simples e simpático que veio do Nordeste, me recepciona com largo sorriso e grita para que preparem meu suco de melancia. 
 
Semana passada, quando trouxe o suco, viu meu celular, antigo, que nem a internet acessa. ‘E aí doutor? O senhor não gosta de estar conectado?’. Sem me dar tempo, tirou do bolso aparelho completo, com o símbolo da maçã, e disse: ‘Vai sair um mais moderno, não vejo a hora de trocar’. Balancei a cabeça em sinal de aprovação. 
 
Como almoço sozinho e não tenho internet no celular, mergulhei em reflexão que passava pelo rapaz, atendente de padaria, vindo do Nordeste em busca de vida melhor em São Paulo, esbanjando tecnologia e ansioso para comprar outro mais moderno. Alguma coisa mudou neste país. 
 
Por mais que oposição grite, a presidenta Dilma — segundo pesquisa CNT/MDA — obteria 43,7% das intenções de voto se a eleição fosse naquele dia. 
 
E, segundo a Serasa Experian e o Instituto Data Popular, se a classe média brasileira fosse um país, seria o 12º do mundo em população e 18ª nação em consumo, podendo integrar o G20. 
 
A grande verdade é que a classe média e a classe C, que gastaram mais de R$ 1,17 trilhão em 2013 e movimentaram 58% do crédito no Brasil, nunca viveram um consumo digno como este e não querem se aventurar em tímidas propostas da oposição. 
 
Pode até não ser bom, já que em democracia, alternância de poder é saudável, mas, concordemos: celular no bolso e eletrodomésticos novos falam mais alto.
 
Ao ir para o caixa, percebi que o avermelhado suco de melancia me parece combinar com este país de Dilma. 
 
Sugere que não há mensaleiro que abale milhões trabalhadores humildes que hoje têm vida melhor. 
 
E a pobre oposição, até agora não encontrou discurso bom e doce como meu suco diário de melancia... E assim vamos...
 
Fernando Rizzolo
Advogado, jornalista 
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários