O 5º Distrito Policial anunciou a identificação dos autores do sequestro, cárcere privado e tortura de um pintor automotivo que completa 29 anos neste domingo. O fato ocorreu no último dia 10. O proprietário de uma oficina de molas, o filho e dois sócios são acusados de cometer os crimes. Um dos suspeitos negou participação, mas, durante seu interrogatório, disse que viu a vítima com os outros três acusados no início da noite dos fatos.
A polícia chegou aos autores com base no depoimento do pintor de carros. O comerciante JNMR, 48, do Vera Cruz, proprietário da oficina de molas, o filho dele, balconista JMCR, 24, do Dermínio, e os sócios, borracheiro CRSL, 31, da Santa Terezinha, e mecânico FSS, 28, do Moreira Júnior, foram identificados.
“Pai e filho, assim como o borracheiro, negaram qualquer prática de delito, e ainda desconversaram a respeito dos fatos”, disse o investigador Reginaldo Calil, que recebeu do delegado Hélder Rodrigues a incumbência de investigar a denúncia.
O mecânico do Moreira Júnior, interrogado depois dos outros, negou participação. “Ele disse que não estava presente, mas que viu a vítima dentro da oficina, junto com os outros três, no dia dos fatos”, acrescentou Calil.
A polícia obteve imagens gravadas do momento em que o pintor automotivo entra no carro de um dos acusados, e imagens de quando ele retorna ao local onde reside, cambaleando. Laudos médicos confirmaram que a vítima apresentava lesões compatíveis com tortura.
“Estamos aguardando a remessa dos últimos laudos para o encerramento do inquérito. As provas colhidas e depoimentos apontam que ocorreram os crimes denunciados e, possivelmente, os quatro deverão responder pelos atos junto à Justiça”, destacou o delegado Rodrigues.
O caso
O pintor automotivo ELCO, reside em uma oficina às margens da rodovia Cândido Portinari. No último dia 10, pouco depois volta das 18h30, o proprietário da oficina de molas o procurou, para realizar um trabalho de pintura. ELCO aceitou e foi à oficina. “Tudo não passava de uma mentira para me atrair”, comentou a vítima em depoimento.
Os quatro, segundo ele, lhe atribuíram o furto de ferramentas da oficina de molas e queriam saber dos outros autores. Ele negou e disse que não sabia dos ladrões. Neste momento, segundo o próprio ELCO, os quatro lhe amarraram com cordas do pescoço aos pés. Uma máquina de choque teria sido usada durante a tortura até descarregar.
“O J... (dono da oficina) pegou um revólver e atirou próximo à minha cabeça para me intimidar. Eles pegaram uma corda e apertaram meu pescoço e me deram chutes e socos, querendo que eu falasse quem tinha furtado a oficina”, disse a vítima em seu depoimento.
A tortura, segundo o pintor, durou cerca de três horas. Os autores o deixaram dentro da oficina, amarrado, e prometeram voltar de madrugada para levá-lo até a ponte em Rifaina, e jogá-lo nas águas do rio Grande com uma pedra amarrada no pescoço para que morresse afogado.
Minutos depois de o quarteto deixar o local, o pintor se soltou, voltou para a oficina onde mora, e ligou para o telefone 190 da PM.
No Plantão Policial, a vítima contou sua história e a repetiu, sem entrar em contradições, no 5º DP.
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