Uma pesquisa da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), em Ribeirão Preto, não fala em milagres, mas aponta que a religiosidade está intimamente ligada à cura de pacientes com câncer. Os bons resultados se dão, de acordo com os pesquisadores, pois a fé faz com que o sistema imunológico seja fortalecido, o que justifica a melhor aceitação do tratamento.
Felipe de Melo Carvalho, 15, acredita que foi curado pela sua fé. Frequentador da comunidade evangélica Assembléia de Deus junto com os pais e a irmã, em 2012, ele foi diagnosticado com Linfoma de Hodgkin (câncer no sistema linfático). Junto com o tratamento convencional, que começou em julho do mesmo ano e terminou em janeiro de 2013, com quimioterapia e radioterapia, ele se entregou à oração. A mãe do jovem, Regiane Carvalho, conta que, no dia em que o filho recebeu o diagnóstico, com 13 anos, ele pediu a Deus que não permitisse que ele emagrecesse e que não perdesse os cabelos. O oncologista que acompanhava o caso, porém, afirmou que até a terceira sessão do tratamento ele ficaria completamente careca. “Durante o tratamento o Felipe cresceu, ganhou peso e, para a glória de Deus, não perdeu um fio de cabelo”, disse a mãe.
Felipe faz agora apenas acompanhamento com exames trimestrais, que dão resultados negativos para linfoma desde então. “Milagre, segundo o dicionário, é uma intervenção sobrenatural. Então, sem dúvida, recebemos um”, disse Regiane.
Segundo o médico Marco Benedetti, o caso é incomum, pois há diferentes tipos de quimioterapia e em alguns casos há uma maior queda de cabelos. “A ‘quimio’ , para o Linfoma de Hodgkin leva a uma perda acentuada. Nos meus 27 anos de formado nunca vi um caso de um paciente com este tipo de doença que tivesse sido submetido a quimioterapia sem que ocorresse a queda de cabelos”, disse.
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