'Hora da Verdade' visita o Aeroporto e constata problemas


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Além da falta de estrutura, o espaço com campo de terra  usado PELOS moradores PARA JOGAR FUTEBOL se tornou um lixão  a céu aberto. Até pias e móveis queimados ocupam parte do terreno
Além da falta de estrutura, o espaço com campo de terra usado PELOS moradores PARA JOGAR FUTEBOL se tornou um lixão a céu aberto. Até pias e móveis queimados ocupam parte do terreno
O Complexo Aeroporto, na zona Sul de Franca, é uma das regiões mais populosas da cidade. Segundo dados da Prefeitura, cerca de 25 mil pessoas moram nos Jardins Aeroporto I, II, III e IV, Santa Bárbara e Aviação. Mesmo sendo  a morada de milhares de francanos, o conjunto de bairros parece ter caído no esquecimento do poder público. Os moradores relatam listas de problemas e afirmam que a sensação que têm é de estarem abandonados. Saúde precária, falhas na educação, falta de áreas de lazer e problemas no trânsito são algumas das queixas feitas ao programa Hora da Verdade Itinerante, da rádio Difusora AM, que visita toda sexta-feira um bairro da cidade e esteve na região do Aeroporto no último dia 14.
 
A maioria da população de lá depende exclusivamente da saúde pública. As UBSs (Unidades Básicas de Saúde) não conseguem absorver toda demanda. A espera para consultas médicas castiga os usuários. Os moradores se dizem cansados de enfrentar filas e demora entre o agendamento e a realização de consultas e exames. Eles relatam ainda que faltam médicos na UBS 24 horas instalada no Jardim Aeroporto. “A saúde daqui é muito ruim. Está muito difícil consultar, principalmente, com pediatra e ginecologista. Quando tem urgência, é preciso madrugar para conseguir passar pelo médico e mesmo assim, às vezes, marcam só para daqui bastante tempo”, disse Jéssica Cristina, moradora do Jardim Aeroporto III.
 
A UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro começou a ser construída em junho de 2012, numa parceria entre o município e o governo federal, mas até hoje não foi entregue à população. O local poderia aliviar a demora nos atendimentos e deveria estar funcionando desde fevereiro do ano passado, mas após três aditamentos, o prazo para entrega foi prorrogado. A promessa agora é finalizar a construção da UPA até o fim deste mês, um ano após a data de entrega prevista na licitação. Fora o prazo, os valores também foram corrigidos: além dos R$ 4,8 milhões calculados inicialmente, a obra vai consumir mais R$ 148,2 mil. Enquanto as obras são adiadas, a população sofre com a espera para cuidar da sua saúde.
 
Ensino
A educação das crianças dos bairros daquela região também preocupa. Os pais reclamam da distância que têm percorrido para manter os filhos no colégio. “Tiraram a única sala do 1º ano que tinha na EMEB ‘Prof. Maria de Lourdes Lima Pelizaro’ e deixaram os alunos da parte alta do Aeroporto I sem lugar perto de suas casas para estudar. Mandaram eles para longe. Isto também está acontecendo na Escola Municipal ‘Paulo Freire’. Lá tem só até o 5º ano, depois os alunos são mandados para o fim do Aeroporto III”, disse o morador e líder comunitário do bairro, José Antônio da Fonseca, o Zé do Aeroporto.
 
Para tentar resolver o problema da distância, os pais sugerem a ampliação das escolas. Alegam que a Escola “Paulo Freire” tem um amplo terreno onde mais salas poderiam ser feitas. 
 
Trânsito
A falta de sinalização próximo à Escola Estadual “Evaristo Fabrício” também gera preocupação. No horário de saída das crianças, o fluxo de carros e pessoas aumenta consideravelmente no cruzamento da avenida Carlos Roberto Haddad com a rua Alípio Rezende de Araújo. Pais pedem a instalação de um semáforo no cruzamento para evitar acidentes e infrações neste ponto. “Muitas crianças vão embora sozinhas e correm riscos. Os carros circulam em velocidade alta e não param para elas passarem. Para atravessar tem que correr”, disse Maria Aparecida Cintra.
 
Outra queixa dos moradores é da falta de espaços para lazer. Os locais que já existem estão em más condições e oferecem riscos às crianças. No Jardim Santa Bárbara, um campo de futebol improvisado é o único ponto de lazer do bairro. Mesmo assim, uma parte do terreno se tornou um lixão a céu aberto e abriga móveis queimados, pias e outros resíduos. “Está abandonado. Já pedimos para colocarem um alambrado e melhorar o campo para nossas crianças terem onde brincar, mas nada é feito”, disse Reginaldo Peres.
 
A praça existente no Aeroporto III tem brinquedos, mas muitos estão destruídos. E o local, segundo moradores, costuma ser usado como ponto para consumo de drogas.
 
Dois projetos que garantiam, em partes, o lazer dos moradores estão parados. O Brincando com a bola e o Brincando com a música eram uma opção para manter as crianças em atividade no período contrário ao da escola. Sem atividades, é comum ficarem nas ruas enquanto os pais trabalham. O vereador Claudinei da Rocha (PP), coordenador do projeto, disse que as atividades estão paradas por férias de colaboradores, mas que devem retornar em breve.
 
Não há nos bairros, lotéricas ou caixas eletrônicos, obrigando os moradores a se deslocarem para a região central para pagarem suas contas. 
 
O bairro parece estar mesmo esquecido. Enquanto isso, a população aprende a se virar e espera melhorias, muitas sem data para ocorrer.

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