Por fim, das minhas andanças paulistanas, tenho uma dica boa para dar. E, mesmo não se tratando de algo inovador, será aquele tipo de comida que sempre agrada, pra dizer o mínimo.
Fico às vezes com o pé atrás quando vou falar de algum restaurante tocado pelo chef Paulo Barros, antigo Due Cuocchi, como gosto muito da comida dele tenho medo da indulgência. Mas aí me lembrei de que não gosto do restaurante Italy, também chefiado por ele. E isso me autoriza a pensar que meu grau de susceptibilidade é razoável.
Pois bem, chegamos ao Kaá meio que por acaso, embora não sem intenção. Procurávamos, eu e minha filha, um lugar mais jovem, mais barulhento, mais cheio. E como, graças a Deus, a sua menoridade não permitiu nada daquilo, lhe falei desse restaurante que queria conhecer.
A crítica gastronômica torce um pouco o nariz para o Kaá porque, embora a comida seja impecável, ele não apresenta aquela fagulha inovadora: combinações improváveis, texturas desafiadoras, montagens acrobáticas. Acho que ando um pouco cansada desse papo científico/gastronômico, muitas vezes modas descartáveis que fazem os aduladores despenderem rios de dinheiro. Sinceramente, não tenho rios de dinheiro para sair a procura de “experiências” numa cidade tão cara como São Paulo.
Agora, o restaurante em si, é unanimidade. Acho que seja talvez o mais belo cenário paulistano. Um bom gosto tão discreto, materiais nobres nos dão a impressão de que a nudez do local seria a maneira mais bela de apresentá-lo. O endereço não muito nobre ajuda a causar ainda melhor impressão - com um ar de spa urbano, cruzar a porta da entrada nos leva a desfrutar de uma atmosfera adorável.
Um incrível jardim vertical, com milhares de mudas de samambaias da mata Atlântica, o uso sistemático de madeira e um teto retrátil produzem uma acústica agradável.
De entrada recomendo o pão com uvas passas, de textura impecável, perfumado, sem fermento químico - minha azia sempre o denuncia. De principal, posso indicar o meu prato e o da Júlia, ambos estavam excelentes: ravióli recheado de pecorino e ervilhas frescas com molho de camarão e uma massa integral com legumes e queijo taleggio. A sobremesa, essa não recomendo: galette de tapioca, apenas boa. E para finalizar, o serviço foi discreto e acolhedor. Nosso garçom nos deu a impressão de que gostou de nós, enfim, uma noite gostosa onde tudo deu certo, embora o alguém do meu lado sonhasse com outras emoções.
DICA DA SEMANA
Bolo
Essa semana fiquei satisfeitíssima com novas dicas sobre massas de bolo. Testei e aprovei. Massa fofinha: Já falei aqui da necessidade da manteiga em temperatura ambiente, da separação antecipada dos ingredientes, da forma untada e da obrigatoriedade de se acender o forno antes de tudo.
Daí aprendi que os ovos quando utilizados inteiros devem ser misturados com um garfo antes de serem adicionados à massa, como uma omelete. Isso garante que se incorporem por igual na massa. Muitas receitas dizem que no momento de se incorporar os sólidos deve-se reduzir a velocidade da batedeira. Nada disso. Farinha de trigo, chocolates e todos os sólidos devem ser misturados a mão, com um batedor. Eu misturava tudo na batedeira, mas comprovei que fica melhor quando feito a mão.
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