Uma onda de ‘justiça com as próprias mãos’ invade os noticiários jornalísticos. Porém, o que pouca gente sabe é que esse assunto não é nenhuma novidade. Nos EUA que ainda seguem como a maior potência do mundo, o tema há tempos é debatido, uma vez que a população americana deparou-se com o fenômeno social dos “justiceiros”.
O filme Desejo de matar (1974), protagonizado por Charles Bronson, retrata a sede vingança de Paul Kersey que persegue criminosos de sua cidade, após a morte de sua esposa e o estupro de sua filha. À medida em que vai matando, Kersey ganha apoio da população e apreço da própria polícia pelos seus atos, embora contrários à lei.
É claro que justiça pelas próprias mãos é errado, inclusive tipificado no Código Penal na figura do ‘exercício arbitrário das próprias razões’. É claro que um erro não justifica o outro, mas qual solução pode ser apresentada em curto prazo contra a criminalidade? Educação da massa é em longo prazo (20 anos, no mínimo), portanto, inviável para o clamor social urgente. Esse discurso é muito óbvio e não atende as necessidades urgentes das classes oprimidas pelo terror que hoje existe, sem falar que educação para todos parece um sonho cada vez mais distante.
Será que medidas alternativas das prisões em flagrante feitas pelas pessoas do povo (sem violência, é claro), algo que a Lei Penal autoriza, não seria a melhor forma de chamar a atenção do Estado que ainda repousa em berço esplêndido ante a tantas atrocidades? Será que permanecer com o discurso ineficaz e demagogo de ‘educação para todos’ é a solução, haja vista um Estado que investe tão pouco em educação?
É tempo de rever conceitos. É tempo de amadurecimento. É tempo de parar de reclamar e propor soluções. Creio que assim, verdadeiramente se constrói uma sociedade mais justa.
James William
Advogado
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