No caderno Equilíbrio da Folha de S. Paulo, edição de 03/12/2013, Mariana Versolato, que também é editora-assistente do caderno ‘Ciência+Saúde’, do mesmo jornal, escreveu interessante matéria, reportando-se a livros que tratam da maneira como pais franceses educam os filhos.
Mostra métodos ordinários entre eles, conquanto, para nós, brasileiros, aparentam especiais. Diz ela que, lá, filhos recebem toda a atenção possível, sem que, com isso, os pais tenham que se dar a grandes sacrifícios.
A educação francesa compara-se, em muitos aspectos, com a brasileira de outros tempos. As crianças não fazem birra, em todo lugar comportam-se educadamente e se alimentam como convém.
Considerando nosso atual e deformado processo educativo, verificamos, sem qualquer dificuldade, o quanto precisamos aprender com os franceses. No Brasil, defende-se, como um bem supremo, o ‘direitos sem deveres’. Se bem interpretado, o Estatuto da Criança e do Adolescente prima por consagrar direitos, omitindo-se quanto a obrigações. Não somos contra o ECA. No entanto, cabe observar que nossa educação, tanto a formal quanto a moral, caracteriza-se pelo liberalismo, sem que se ensinem regras de convivência.
Toma-se permissividade por liberdade. Liberdade irresponsável é império da desordem. Um aspecto brutal da nossa deseducação: associada ao fato de muitos casamentos darem-se precocemente, a violência impera dentro dos lares. Pais mal educados, ações extremas: ou os filhos são liberados para fazer o que querem, ou são espancados impiedosamente até por faltas involuntárias. Daí observar-se que os pais de hoje são, eles mesmos, fruto de educação deformada. Um jovem, pai de criança de menos de dois anos, ao ser interrogado por que a agredia, disse, inconsequentemente: ‘ela chorava muito’.
É evidente que também ele não teve definidos os seus limites, não encontrou quem o orientasse sobre direitos e deveres.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.