Quem se responsabiliza?


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Menos de dois meses após a morte da jovem Luara Prieto Ribeiro, de apenas 26 anos, outra ocorrência semelhante coloca em xeque a qualidade do atendimento médico público prestado à população francana. Desta vez a dona de casa Clésia de Araújo Novais, 31, mãe de uma menina de dez, na tarde de anteontem tornou-se mais uma vítima de descaso e negligência envolvendo a rede pública de saúde sob a responsabilidade da administração municipal. E, como no caso anterior, novamente depois de um calvário, numa repetição de erros que não se podem admitir quando se trata de uma vida. A comoção causada só não é maior do que a indignação daqueles que, ainda hoje, esperam que os responsáveis pela morte de Luara sejam identificados, indiciados, julgados e condenados.
 
Apenas nas primeiras oito semanas deste ano houve ainda o caso da menina que ficou vários dias com uma farpa de madeira nas nádegas e, ao ser operada, a cirurgia foi feita em local errado. Depois disso, no mesmo dia em que Clésia passava por seu calvário, a Saúde Pública não foi capaz de identificar uma fratura de clavícula em um garoto. Muitos problemas em pouco tempo para que a Prefeitura se cale e prometa apenas sindicâncias que não levam a nada. Não há notícias de que médicos tenham sido responsabilizados por fatos anteriores. Aliás, todos os envolvidos nos casos de Luara e Clésia continuam trabalhando normalmente e não há notícias de que tenham sido pelo menos advertidos, quando deveriam ter sido afastados.
 
É inconcebível que duas mortes causadas pelo descaso e pela negligência sejam tratadas também com descaso e negligência. Duas jovens vidas foram tiradas e o retrospecto mostra que sindicâncias ou investigações comandadas por entidades médicas dificilmente trazem os resultados que a população espera. Apenas inquéritos criminais dão a resposta à opinião pública quando negligências médicas são levadas a julgamento. A secretária Municipal da Saúde, Rosane Moscardini, admite falhas no atendimento. Mas, se há um segmento que não admite falhas é o da Saúde Pública. Ainda mais erros crassos, como o de mandar para casa pacientes em estado grave, levando-os à morte.
 
No caso de Luara Ribeiro, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) adotou uma tática de silêncio. Agora no caso de Clésia Novais, assume a mesma postura. Fã de redes sociais, o chefe do Executivo francano costuma utilizá-las apenas para postar textos de autoajuda de qualidade duvidosa. Nem uma palavra de conforto aos familiares das duas jovens vítimas que ainda procuram respostas e conforto para a dor pela qual passam. Cabe ao prefeito, que comanda não apenas o sistema público municipal de saúde mas também a Santa Casa local, vir a público e se pronunciar, mostrando claramente quais providências está tomando para que fatos lamentáveis como este não se repitam. O que não se pode é tentar, com um silêncio inexplicável, que vem indignando os que ainda se sentem compassivos, deixar os dois casos (além dos outros, de menor gravidade) caírem no esquecimento. Os francanos merecem uma satisfação e lhes é devido um compromisso firme no sentido de acabar com erros como os que levaram Luara e Clésia à morte.
 
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