“Não vejo a hora de ir lá, resolver tudo e trazer o corpo para Franca. Quero fazer um velório de duas horas para receber os amigos. Vou comprar uma coroa de flor. Cada um vai levar uma flor para minha filha ver que ela não era indigente. Foi muito estúpido o enterro dela lá. Eles sabiam que ela era de Franca. Não poderiam ter feito isso.” O relato entre lágrimas é de Vera Lúcia, mãe de Rufina Cátia. “Se Deus quiser, vou realizar este sonho. Não vou deixar minha filha lá como indigente. Ela foi criada com tanto carinho, com tanto amor. Estou sofrendo muito.”
Enfermeira aposentada, trabalhou na Santa Casa e no Regional, Vera é uma mulher sofrida. Perdeu um filho por causa de hepatite C e convive com outro de 27 anos viciado em drogas. A filha Cátia começou a se envolver com crack aos 16. “Ela se casou com um cara que era traficante, depois virou drogado. Ela entrou na onda dele. Foi o fim dela.”
No ano passado, Cátia conheceu um homem durante viagem para Goiás e passou a morar com ele em Ituiutaba (MG). “Em setembro, ela parou de ligar. Ela não ficava esse tempo todo sem me dar notícias. Eu falava para o meu marido: ‘Isso não está certo, minha filha está morta’. Eu sentia que ela tinha morrido. Coração de mãe não engana.”
O homem a degolou com uma faca. Menos de 24 horas depois, Cátia foi sepultada como indigente. “Eles tinham os dados. Da matéria do jornal, constava o nome da minha filha e que ela era de Franca. Se as autoridades quisessem, eles teriam me achado. Foi uma negligência muito grande.” Nesta terça-feira, Vera Lúcia vai para Ituiutaba iniciar os trâmites para a remoção do corpo. “Vou sofrer muito, vou chorar muito. Não vai ser fácil ver as fotos dela morta, será uma tortura. Tem horas em que me deito e penso: minha filha não está morta, mas na realidade está.”
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