Famílias de Franca conseguem traslado de suas filhas assassinadas em MG


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Vera Lúcia Rocha Rezende, mãe de Cátia, degolada em Ituiutaba e Carmem Lúcia Fernandes, mãe de Ozania, estrangulada em Capetinga
Vera Lúcia Rocha Rezende, mãe de Cátia, degolada em Ituiutaba e Carmem Lúcia Fernandes, mãe de Ozania, estrangulada em Capetinga
Cátia, 26, e Ozania, 15, não se conheciam. Moravam em bairros periféricos distantes cerca de 20 quilômetros. Cátia era da Vila Santa Terezinha. Ozania vivia no Jardim Aeroporto III. Ambas tinham muito em comum. Eram bonitas, usavam drogas desde a adolescência e andavam com má companhia. Tiveram final trágico e a vala comum como destino. Foram brutalmente assassinadas em cidades de Minas Gerais. Os cadáveres foram enterrados sem que houvesse tempo para o reconhecimento. Não bastassem as mortes estúpidas por motivos fúteis, Cátia e Ozania ganharam o rótulo de indigentes. As mães compartilham o sofrimento e o mesmo desejo: trazer os corpos para Franca e fazer um sepultamento digno, conforme noticiado pelo Comércio e Difusora. 
 
Depois da queixa feita pelas famílias a respeito do descaso enfrentado diante da dificuldade de trazer os corpos para a cidade, as autoridades locais se movimentaram e as exumações são uma questão de dias. Dependem do cumprimento de trâmites legais. O município fará o que já deveria ter feito e cumprirá a lei. Arcará com os custos do traslado.
 
Rufina Cátia Rocha Rezende
Usuária de crack, Rufina Cátia Rocha Rezende foi assassinada em Ituiutaba no dia 15 de setembro. No dia seguinte, já estava enterrada como indigente. O companheiro, com quem vivia há oito meses, foi o seu algoz. A mãe ficou sabendo da morte três meses depois. Sem ter notícias do paradeiro da filha neste período e pressentindo o pior, Vera Lúcia Rocha Rezende, 47, acessou o jornal da cidade pela internet e contou: “Segundo o que eu li, ela pediu R$ 20 e ele não quis dar. Começaram a discutir. Ele pegou uma faca e deu várias golpes no pescoço dela. Minha filha foi degolada”. O desespero da mãe em tentar trazer o corpo de Cátia para Franca foi revelado pelo Comércio no dia 16 de janeiro.
 
Ozania Fernandes Sá Teles
 
Dezenove dias depois, no começo de fevereiro, o corpo da outra jovem, Ozania Fernandes Sá Teles, foi encontrado na zona rural de Capetinga. A jovem era garota de programa e foi estrangulada por Cleiton dos Reis Ribeiro, 29, após consumirem drogas. Ela havia sido contratada por R$ 20. Na sexta-feira, 14, os pais de Ozania participaram ao vivo do programa Hora da Verdade, da rádio Difusora, que estreou naquele dia sua edição itinerante no Jardim Aeroporto III, e pediram ajuda para conseguir trazer o corpo para ser enterrado em Franca. A família não tem condições de pagar os custos estimados em torno de R$ 2,1 mil. 
 
Apoio
Uma semana se passou até que o esperado apoio apareceu. “Me lembrei do caso dos mensaleiros e pensei em fazer uma campanha para arrecadar o dinheiro, mas não foi preciso. Levei a família até a Prefeitura, que se comprometeu a fazer o traslado. A polícia mineira foi acionada e está preparando os documentos para que a exumação possa ser feita”, disse o vereador Laercinho (PP). Apesar de o caso ser de conhecimento público, a Prefeitura alegou que não tomou providências antes, pois não havia sido procurada.
 
Do outro lado da cidade, a mãe de Cátia está preparando as malas e viajará para Ituiutaba, na próxima terça-feira, 25, para realizar exames de DNA, mudar o atestado de óbito, que receberá o nome da filha e, enfim, obter autorização judicial para poder remover o corpo para Franca. O vereador Luiz Vergara (PSB) contribuirá com os custos da viagem da mulher e a Prefeitura pagará os serviços da funerária. “Por meio da lei de auxílio funeral, o município arca com as despesas do traslado quando a família é baixa renda. Já está tudo certo. Temos autorização para efetuar o pagamento. Nos dois casos, aguardamos apenas a liberação dos corpos”, disse a secretária municipal de Ação Social, Gislaine Peres.

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