Luiz Neto é um homem inteligente. Disso nunca duvidei e tenho-lhe admiração pela coordenação e a facilidade com que manuseia palavras. Mas é também dissimulado. Quando começou a série ‘A culpa é nossa’ achou mina de ouro em termos de colunas de opinião. Por quê?
Porque ataca o governo federal sem atacar. Nada é culpa do governo. A culpa é nossa por ter colocado ali esses safados. Mas o objetivo central dos escritos de Luiz Neto é claríssimo, pelo menos para mim. Ele quer derrubar o governo do PT. Pois eu conclamo (o) colunista Luiz Neto a ser transparente: dê nome aos bois, meu amigo. Assuma seu lado conservador. Diga que quer o PT fora do poder, seja corajoso. Pelo menos a gente entenderá melhor o que você escreve. Com respeito, Roberto.”
Depois que ‘A culpa é nossa II” circulou, sábado passado, recebi o comentário que acabo de transcrever, assinado por Roberto Pires Silveira. Primeiro, ele engraxou minha vaidade. Depois, me acusou de ser dissimulado, de ter encontrado jeito de fazer outros falarem por mim, de querer derrubar o PT, de acusar de culpa quem vota no PT e, maneirosamente, disse que eu acho ‘petistas safados’.
Em outros posts que enviou contra ponto de vista do leitor Cláudio Borges (e, novamente a mim, por opinião que emiti sobre o Centro Pop), semana passada, ‘sugeriu’: “Que tal a gente, (ao invés) de dar abrigo, comida e dignidade para esses miseráveis, excluídos em sociedade cruel como a nossa, simplesmente expulsasse todos da cidade? Afinal, não servem para nada, não é? Incomodam os vizinhos, pedem nos semáforos, são feios, sujos, negros, brancos que, como diria Caetano, são quase pretos de tão pobres. A gente expulsa e pronto! Não vamos mais precisar dar abrigo, comida (...)para eles. Que se danem, né? Daí a cidade ficaria apenas para os homens de bens e de Benz, ou seja, os homens bons de Luiz Neto.”
O leitor acha que quem discute, ou diz o que pensa sobre programas sociais gerados pelas leis em vigor, são monstros. Uilton Felipin, outro sujeito inteligente, também comentarista de quatro costados deste Comércio, Mirto, como gosta de ser chamado, entrou no barco: ‘Luiz, você sabe o respeito que tenho por você, como pessoa e profissional. Contudo, acho que Roberto tem razão quando diz que você deveria se posicionar politicamente. Os textos ‘A culpa é nossa’ são pertinentes, mas, e você, qual a sua culpa? Seu perfil passa a impressão que sempre votou nos tucanos, notadamente em Franca. Nada contra, afinal eu voto sempre no PT, porque é o programa partidário que mais me atrai. Sugiro que você assuma sua preferência e, portanto, sua parcela de culpa. (...) Saía do armário político e, tenho certeza, será mais respeitado ainda. Afinal, democracia é isso. Abraço do Mirto.”
Vou frustrá-los, caros. Sou jornalista. Não tenho afiliação a qualquer partido. Nunca tive. Analiso candidatos antes de cada eleição. Vou fundo em busca de informações sobre eles. Anda assim erro? Erro. Já tive incontáveis decepções, mas não tenho, como você esperam, que falar delas. ‘A culpa é nossa’? Claro, e, exatamente por ser, é que decidi caminhar na trilha do que Roberto chama de ‘mina de ouro de opinião’: dar espaço a Robertos, Mirtos, Cláudios, Amires, Davids, Hélios, Guiltys, Carlos, Cíceros, e, até, ‘pilotos automáticos’ (confira em http://www.gcn.net.br/noticia/241495/opiniao/2014/02/a-culpa-e-nossa-ii).
Avaliar a culpa que temos na construção do país pior e injusto — há alguma dúvida? — que, por omissão, admitimos, é responsabilidade de cada um. Sobretudo não podemos esquecer que um país é o resultado do que seus políticos fazem — e de todos os partidos —, já que deixam para lá as expectativas que seus eleitores lhes depositavam ao serem enquadrados pelos partidos donos do cargos, logo que tomam posse. Constatado o erro, que se ponha a fazer diferença. É ai que Roberto e Mirto se equivocam, já que preferem o palavrório engessados pelo (livre?) pensar colorido. É por isso que continuo — só — jornalista.
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
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