O sal da lágrima ardia
Mais do que já estava ardendo
O ritmo batia acelerado
Quase parando
Apertado pra esconder a dor
De mil garfos espetando a carne
O gosto do choro amargava a boca
Engolido à força goela abaixo
Enchia o papo, o peito, a pele
Sensação de secura
Nos cabelos e na alma
Soltos pelo vento, presa pelos homens
O corpo perdeu a obediência
Inflava e murchava numa vida de Alice
Com miolos encharcados
Pingando vodka com morangos
Vermelhos feitos sangue
Sangue salgado de lágrimas
Julia Moscardini, Mestre em Estudos Literários
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