O futuro do velório do Jardim Paulistano continua indefinido. A audiência na noite de ontem, 20, para decidir o destino do prédio acabou em impasse. De um lado, a Prefeitura apresentou um projeto para transformar o local em um centro de convivência para crianças e adolescentes. Um morador sugeriu que o imóvel se torne um Núcleo do PSF (Programa Saúde da Família). A reunião, na Escola “Michel Haber”, durou duas horas.
Inicialmente, funcionárias da Secretaria de Ação Social fizeram um breve histórico do prédio juntamente com a apresentação de imagens do local. Na sequência, detalharam o projeto “de serviço de convivência e fortalecimento de vínculos”. “A ideia é montar no local um projeto social onde a criança ou adolescente, no contraturno de aula, possa ter várias atividades educacionais, recreativas e esportivas, como jogos, oficinas, teatro, gincana, música. O projeto já funciona em outras regiões, e a nossa intenção é ampliá-lo”, explicou a secretária da pasta, Gislaine Peres. Pelo projeto, o centro ofereceria inicialmente 50 vagas para crianças e adolescentes de 6 a 17 anos, e seria implantado a partir de março.
Durante a apresentação de novas propostas, o servidor público André Szabo, morador da região, defendeu a ideia de o prédio se tornar um PSF. “A região carece de mais atendimento na área de saúde e o PSF ajudaria a desafogar a unidade de saúde.”
No momento de votar as propostas, as duas sugestões receberam a mesma quantidade de votos em duas ocasiões diferentes. Na primeira, o empate foi em 19 votos. Na segunda, com mais votantes, as duas propostas receberam 22 votos. No intervalo entre as votações, a secretária de Ação Social ainda tentou forçar os participantes a escolher pelo projeto social, mas não convenceu a maioria. “O projeto da Prefeitura é válido, mas não para aquele local que é barra pesada. Precisamos mais de unidades de saúde”, disse o morador do bairro Edson Vitor da Silva.
Professora da escola onde ocorreu a audiência, Nezita Alves da Silva defendeu o projeto social, mas manifestou preocupação. “Sou favorável, mas desde que tenha segurança.”
Diante do impasse, a secretária decidiu encerrar a audiência e levar as duas propostas para apreciação do Executivo. Enquanto isso, o prédio continua sendo um velório sem mortos. Desde que foi inaugurado, há três anos, o local recebeu apenas um morto. Mas, por pouco tempo, porque a família preferiu velar o corpo em outro local, por insegurança.
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