Após os registros de dois boletins de ocorrência na polícia na polícia por descaso e erro médico nos prontos-socorros da rede pública, a secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, admitiu que há falhas no atendimento. A afirmação foi feita ontem, no programa Hora da Verdade, da Difusora.
A secretária foi convidada para comentar o caso envolvendo o atendimento prestado à dona de casa Clésia de Araújo Novais, 31, que teria entrado em coma depois de receber glicose ao passar pelo PS “Álvaro Azzuz”. Clésia é diabética e não sabia. Segundo a família, não foram feitos exames antes da aplicação de glicose, colocando a paciente em risco.
O outro caso é o da menina Ana Clara Garcia de Oliveira, 3, que teve a clavícula quebrada ao cair de um brinquedo na creche onde estuda e, mesmo sendo examinada por um pediatra do PS Infantil, a fratura só foi descoberta três dias depois.
Rosane admitiu que há falhas no atendimento. “As pessoas, assim como os médicos, têm momentos em que às vezes falham, têm defeito... Algumas falhas acontecem e a gente não tem como monitorar”, disse.
Apesar da declaração, a secretária não deve afastar os profissionais acusados pelos familiares de erro e descaso. “A gente está abrindo sindicâncias para apurar o que houve. Vamos abrir procedimentos administrativos envolvendo a Comissão de Ética Médica para averiguar se as condutas adotadas estão corretas”, disse. Enquanto as sindicâncias não forem concluídas, os profissionais envolvidos em ambos os casos continuarão trabalhando.
A secretária negou que Clésia tenha recebido glicose. Depois se contradisse. Primeiro, afirmou que Clésia fez exame de diabetes ao ser atendida no Pronto-socorro, mas em seguida afirmou que a doença só foi descoberta na Unimed, para onde a paciente foi levada pelo marido depois de receber alta e continuar com dificuldades para respirar. “O médico viu a alteração de diabetes. Mas ela apresentava também um problema neurológico. Ela entrou na ala reservada. Fez aferição da pressão e constatou 233 de taxa de glicose. Ela não tinha histórico. Ela recebeu remédios para responder ao estado neurológico. Não aplicou glicose. Na Unimed, foi diagnosticado o problema de diabetes e ela foi encaminhada para a Santa Casa.”
Sobre a menina Ana Clara, a secretária afirmou que só poderá se posicionar depois que a sindicância for concluída. “Vamos investigar”, disse apenas.
Até o início da noite de ontem, segundo nota enviada pela Santa Casa, Clésia permanecia internada no CTI (Centro de Terapia Intensiva) do hospital em estado grave.
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