O noticiário está repleto de Copa do Mundo. As mazelas no planejamento e na construção das obras necessárias para a realização, nas mãos do Brasil desde 2007, estão escancaradas. Projetos mal feitos e incompetência gerencial resultaram em gastos excessivos e atrasos inexplicáveis. Os estádios, ou arenas, devem, a duras penas, ficar prontos, mesmo fora do prazo, mas, e as tais obras de mobilização urbana?
Em 2016, sediaremos no Rio de Janeiro, outro evento de porte mundial, a Olimpíada. Dois anos nos separam da cerimônia de abertura dos jogos, quando a tocha olímpica será acesa. Olhando de soslaio, parece que o fantasma do atraso vai pegar também as obras que deverão ‘sustentar’ aquele evento.
Em 1992, Barcelona sediou os Jogos Olímpicos. Na ocasião, os espanhóis consideraram que a realização constituiria um marco histórico para o desenvolvimento urbanístico da cidade e o esporte nacional. A campanha de restauração e limpeza dos edifícios tradicionais foi feita pela Prefeitura da cidade sob o lema ‘Barcelona, ponte guapa’, que numa tradução livre queria dizer ‘Barcelona, fique bonita’ ou ‘ponha-se bela’.
De fato, tanto a cidade, como o país aproveitaram a oportunidade. Barcelona de hoje é uma capital mundial reconhecida e prestigiada, e todo mundo acredita que não se pode entender a cidade de hoje não fossem os esforços feitos para sediar os jogos. Houve a relocalização dos equipamentos esportivos, a construção de quatro áreas olímpicas e a completa modernização da infra-estrutura urbana, inclusive, com a abertura da cidade ao mar.
E o Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa, como é que anda na preparação para esses jogos? Podem ser oportunidade única para voltar a ser o que sempre foi, a cidade mais bonita do Brasil. Mas, é preciso planejar e fazer bem feito, com zelo e competência, sem desperdícios. Não como aconteceu nos Jogos Panamericanos de 2007...
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA/USP
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