Traição e renovação


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Lendo, deparei-me com esta frase: ‘Das grandes traições iniciam-se as grandes renovações’. É do filósofo Vassili Rozanov. Até podemos  dizer que nunca traímos, mas, em nosso íntimo, sabemos que já cometemos algumas traições. 
 
Trair significa quebrar a confiança que outra pessoa nos deposita. É possível que algum(a) amigo(a) já lhe tenha solicitado favor e, mesmo podendo fazer, por motivos diversos, disse não. 
 
Quem pediu, acreditava que seria atendida. O não que foi dito, que poderia ter sido sim, foi traição. 
 
Frustrar anseios pe considerado traição. No ambiente de trabalho o colega espera promoção, diz que se esforça para conseguir, fala dos planos e realizações que decorrerão da promoção. 
 
A promoção não acontece para ele, e sim, para você. Mesmo que você nada tenha feito, ele se considerará traído.
 
Proponho refletir na possibilidade da frase inicial deste tempo. É ai que estará a mudança de paradigma. 
 
Em relacionamentos, se somos traídos, adotamos posição de vítima ou tirano, vamos a extremos, perdemos o equilíbrio e a razão. 
 
Traições podem gerar danos de difícil reparação; contudo, permanecer como vítima só leva à tristeza, insegurança, raiva, ao adoecimento. 
 
Nasce, porém, a possibilidade de refletir sobre a vida, as escolhas, no que contribuímos para que ocorresse. Lembrem-se do caso do presidente Bill Clinton com a estagiária Monica Lewinsky. 
 
A mulher de Bill, Hillary, utilizou desse acontecimento de forma positiva. Acabou se tornando-se Secretária de Estado. 
 
Poderia ter adotado o lugar de vítima, mas, deu o perdão, seguiu a vida adiante e tornou-se mulher extremamente influente. 
 
Não somos perfeitos. Diante da traição deve existir espaço para a elaboração e resignificação, para que grandes conquistas e renovações surjam. Foi traído? Abriram-se possibilidades. Renove-se!
 
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
 

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