Uma ideia lançada nas eleições de 2002 e que se repetiu nas votações seguintes para tentar garantir a representatividade política de Franca será colocada em prática novamente este ano. A Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) está planejando nova edição da campanha Voto Nosso. O objetivo é defender a votação em candidatos com base eleitoral na cidade. A ação publicitária terá anúncios nos jornais, rádios, outdoors e distribuição de panfletos com mensagens reforçando a importância do voto caseiro. Duas pesquisas serão realizadas durante a campanha eleitoral para indicar aos eleitores quem tem mais chance de ganhar.
O Voto Nosso foi criado no começo da década quando Franca completava dez anos sem um deputado federal e sofria com a falta de um representante em Brasília. O resultado prático da campanha surgiria quatro anos depois, em 2006, quando Marco Ubiali (PSB) obteve 84,3 mil votos, a maioria em Franca, e conseguiu se eleger. A cidade passou a ter três deputados. Roberto Engler (PSDB) e Gilson de Souza (DEM) seguiam na Assembleia Legislativa.
Nas últimas eleições, em 2010, 606 candidatos diferentes receberam votos em Franca. Considerando a legenda, os eleitores locais deixaram de dar 50.664 votos para candidatos a deputado federal pela cidade. Somente Tiririca (PR) levou 5,2 mil. Gabriel Chalita (PMDB) teve 2,1 mil. Condenado e preso posteriormente por envolvimento no mensalão, João Paulo Cunha (PT) conseguiu 1,8 mil. Antes mesmo de se tornar famoso, Marco Feliciano (PSC) foi o escolhido de 1,4 mil francanos. Fazem parte da relação nomes pouco ou nunca ouvidos na cidade depois, como Jefferson Campos (PSD), com 1,7 mil votos, Otoniel Lima (PRB), com 1,4 mil e Newton Lima Neto (PT), com 936.
Nas mesmas eleições, Graciela Ambrósio (PP) recebeu 62.225 votos, mas não conseguiu se eleger. Para que ela entrasse, faltaram apenas 3,1 mil votos. Ubiali perdeu 20 mil votos em relação à eleição anterior e ficou apenas na primeira suplência. Só conseguiu garantir uma cadeira na Câmara Federal, em 2012, quando o deputado Jonas Donizette (PSB) ganhou as eleições para prefeito em Campinas e teve de renunciar ao cargo que ocupava. Na disputa para estadual, os eleitores concentraram o voto em candidatos locais. Gilson e Engler não tiveram dificuldades para se reelegerem. “Os deputados reconhecem que parte da votação é resultado da campanha que fizemos. Vamos repetir a iniciativa. Temos que deixar o voto na cidade, pois o candidato conhece as necessidades locais”, disse João Carlos Cheade, vice-presidente da Acif.
Na opinião de Ubiali, a campanha Voto Nosso é a única maneira de Franca garantir sua representatividade política. “A iniciativa é fundamental se for bem feita. Se for mal feita, até atrapalha. Não acredito que seja possível eleger mais do que um federal.”
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