Recebi do leitor Cláudio Borges, sobre ‘A culpa é nossa’ que publiquei aqui sábado passado. Compartilho: “Luiz Neto. Existe uma máxima no mundo corporativo. ‘Se você trabalha com matéria prima de excelente qualidade, seu produto final será de excelente qualidade, e o mercado prestigiará essa excelente qualidade’. Pensemos juntos: nós somos matéria prima. Produzimos presidente da República, governadores, deputados, senadores, vereadores, o que não é pouco. Estes homens e mulheres são a exata medida de nossas crenças, ou descrenças, de nossa qualidade ou da falta de. São eles que criam e administram os cenários onde vivemos. A julgar pelo que têm nos apresentado, não temos sido boa matéria prima. Então, você tem razão: ‘a culpa é nossa’.
Você pregou que isso tem que mudar pelo voto. Quero ampliar o debate: como fingir que não se vê os mais de 40 milhões de brasileiros que estão felizes com os benefícios das ‘bolsas tudo’ — Família, Educação, Cultura, Gás, Luz, Auxílio Reclusão, Renda Mínima, Minha Casa Minha Vida, Minha Casa Melhor — capazes de agradecer sem nada contestar quando são chamados?
Quem está dentro, não pensa em deixar de receber. Quem está fora, quer entrar e, então, a tendência é que aumenteessa massa de ‘assistidos’. Diz a sabedoria popular que ‘mente ociosa é a oficina do diabo’.” (Lembra-me o conceito do Centro Pop, com casa, comida e roupa lavada para moradores de rua. Quem, afinal, deixará a rua para agarrar-se ao cabo de uma enxada e suar para ganhar seu sustento, se esse sustento está disponível sem que se tenha que fazer força, e nas esquinas de semáforos da cidade, onde a maioria, ‘para se ver livre, ajuda?).
“Não sou contra benefícios sociais, mas deveriam ser só isso, sociais, e não assistencialistas, esmola. O resultado dessas ‘aplicações’, ‘matéria prima de excelente qualidade’, garante, sem dúvida, ‘consumidores fieis’, ávidos por agradecer com juros e correção monetária nos dias de urnas.
Precisamos, então, mais do que debater. Precisamos de atitudes e ações urgentes de cada um nós, os preocupados, junto ao grupo de amigos, nas escolas, nos clubes de serviço, nas entidades, e, especialmente, no seio das famílias. Vamos fazer o trabalho que nos compete, batalhar pelo fim dos silêncio dos bons (como você sempre diz aqui); ‘brigar’, com todas as forças pelo fim da omissão confortável. Somos 190 milhões de brasileiros. Não é possível que poucos, agradecidos ao paternalismo, decidam pela sequência da guerra civil que vivemos, pela insegurança que maltrata, pela falta de educação e saúde de qualidade, e, especialmente, pela impunidade que a tudo dá fé, como se isso fosse o justo e o merecido. A maioria, somos nós, o grupo do bem, infelizmente, calado demais até aqui.”
GRAVE. GRAVÍSSIMO: A verdade brota, mas sem determinação e cuidado, pode não florescer. O advogado Jonas Tadeu Nunes, que defende Caio Silva de Souza e Fábio Raposo, acusados de dispararem o rojão que atingiu e matou o cinegrafista Santiago de Andrade, da TV Bandeirantes, no Rio, disse que jovens carentes estão sendo cooptados e pagos para criar baderna e quebra-quebra em manifestações públicas. Disse ainda que é preciso procurar quem paga, em diretórios políticos e assembleias legislativas. Não diria sem certeza. O Ministério Público tem que investigar em profundidade.
OPORTUNIDADES: Recebi convite da Loja Maçônica Independência III para uma troca de ideias sobre esta série ‘A culpa é nossa’. Honrado, aceitei. Será na segunda-feira, depois de amanhã. Não se pode perder oportunidades de compartilhar informações, integrar-se a debates, ouvir o contraditório.
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
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