Após três meses, o Setor de Homicídios da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) conseguiu esclarecer o assassinato do jovem Paulo Henrique Laureano Balbo, de 17 anos. Um amigo e vizinho da vítima, que no próximo dia 23 completará 18 anos, confessou que manuseava a arma de onde partiu o tiro que atingiu a cabeça de Paulinho, como era conhecido. O autor alegou que o disparo foi acidental. Testemunhas confirmaram.
O crime ocorreu pouco depois das 21 horas do dia 6 de novembro do ano passado em uma praça de esportes abandonada nos fundos da escola “Benedito Eufrásio”, no Jardim Seminário. No dia dos fatos, o menor envolvido se apresentou como testemunha. Ele e um irmão declararam que dois desconhecidos, usando capacetes, se aproximaram, perguntaram “quem é o Paulinho” e atiraram uma única vez na cabeça dele. A vítima foi socorrida, mas quatro dias depois morreu na Santa Casa.
Os policiais Paulo Rodrigues e Luciano Tavares, comandados pelo delegado Márcio Garcia Murari, passaram a investigar o caso. Familiares e colegas do morto foram ouvidos. Três suspeitos de comandar o tráfico de entorpecentes na região da Vila Aparecida, e que tinham ameaçado Paulinho de morte dois meses antes, não atenderam as intimações da DIG. A prisão temporária dos três foi decretada. Um foi preso com drogas, e outro, capturado na semana passada. Eles negaram envolvimento.
A equipe da DIG, que já analisava a possibilidade das testemunhas estarem envolvidas no crime, conseguiu na quinta-feira a confissão do amigo e vizinho de Paulinho. “Ele disse que achou o revólver e levou para os amigos na praça, onde todos faziam uso de maconha. A arma passou de mão em mão, inclusive pelas da vítima, e quando voltou para as mãos do autor, teria disparado acidentalmente”, disse Murari, com base no interrogatório do autor.
A história foi confirmada pelos outros que estavam no local na noite do crime. “Ele (autor) chamou os bombeiros, avisou a Polícia Militar e ficou no local com um irmão. Dois colegas fugiram com a arma”, revelou o delegado. A história dos “desconhecidos com capacete” foi inventada para evitar a prisão. “O autor alegou que tinha medo de ser preso e não acompanhar o crescimento da filha recém nascida”, contou o policial.
A DIG deve realizar na próxima semana a reconstituição do homicídio e tentar localizar o rapaz que teria ficado com a arma. “O grupo tinha como intenção negociar a arma com traficantes. Agora é trabalhar para saber onde, de fato, ela foi parar”, destacou Murari. O preso na semana passada será colocado em liberdade e o terceiro, que estava foragido, teve o nome retirado da lista de procurados.
O autor do disparo, que se apresentou com os pais e advogado, vai aguardar em liberdade a conclusão do inquérito.
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