Franca apresentou os menores índices de assassinato no ranking das 25 maiores cidades do Estado de São Paulo. No ano passado, foram 15 homicídios dolosos, deixando o município com uma taxa de 4,60 crimes do tipo para cada cem mil habitantes, ficando bem abaixo da média estadual, que é de 10,49. Porém, os números da SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo) não podem ser adotados ceticamente. E nem comemorados com efusão. Embora Franca tenha ficado abaixo de importantes cidades do Estado, vê-se que o índice ainda supera áreas conflagradas, como países do Oriente Médio, além de outros, como Índia, França, Itália e Reino Unido. E quase empata com os Estados Unidos, que têm taxa de 4,7 homicídios dolosos para cada 100 mil habitantes.
Analisando-se friamente, vê-se que precisamos evoluir muito em termos de segurança pública para maior redução destes números. Afinal, a violência continua deixando francanos cada dia mais presos dentro de casa, fechados em seus redutos, por causa dos riscos que correm no dia-a-dia. A sensação de insegurança é geral e não há qualquer indício de que o panorama poderá mudar em pouco tempo. Com estes números, Franca pode ainda ser até prejudicada, já que os esforços da SSP-SP devem se dirigir a municípios com maiores índices, como Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, que lidera o ranking (com taxa de 20,55), a capital do Estado (com média de 10,27 mortes por assassinatos a cada 100 mil habitantes) e Ribeirão Preto (índice de 10,32), entre várias outras.
Por isso, estatísticas deste tipo tornam-se enganosas. Enquanto há três ou quatro décadas casas não tinham muros altos e se podia dormir com as janelas abertas, hoje o panorama é completamente diferente. Atualmente, a polícia, em número insuficiente, enfrenta marginais usando armamentos pesados como revólveres e pistolas.Todos nós estamos sujeitos à ação da marginalidade. Franca, hoje, não necessita de estatística como esta que acaba ‘mascarando’ a verdadeira situação. O município precisa é de maior contingente policial, com verdadeiras condições de promover a segurança que o cidadão merece.
O que se deve destacar diante destas estatísticas é o trabalho investigativo da DIG (Delegacia de Investigações Gerais): dos 15 homicídios dolosos registrados no ano passado, 12 já foram esclarecidos e mais dois estão próximos de terem a autoria levantada. Com uma equipe pequena (apenas três investigadores para o setor), o delegado Márcio Garcia Murari destaca que ‘a prevenção também está relacionada à prisão e ao esclarecimento dos crimes’. É um alto índice de resolução que merece ser comemorado. Como este tipo de crime não está ficando impune há uma natural inibição em sua incidência. Porém, ainda precisamos de mais equipes e pessoal, tanto para a atuação preventiva como investigativa, uma vez que o número de furtos (principalmente de veículos) e roubos se mantém alto. Somente com ações ostensivas será possível trazer de volta a todos nós a sensação de segurança há muito perdida.
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