As três irmãs que denunciaram os pais por maus-tratos na noite da última sexta-feira foram retiradas de casa pelo Conselho Tutelar nesta quarta-feira. Agora o responsável por cuidar das garotas será o irmão de 23 anos, que foi morar com a namorada e uma filha.
Na noite de sexta-feira, as menores de 15 e 13 anos ligaram para a polícia para informar que foram trancadas para fora de casa pelos pais que haviam ido a uma festa acompanhados da outra irmã de 10 anos. Conduzidas ao Plantão Policial, as adolescentes contaram ao delegado que tanto o pai, um pedreiro de 41 anos, quanto a mãe, uma faxineira de 47 anos, vivem embriagados e que não seria a primeira vez que as duas eram trancadas para fora de casa.
Elas ainda disseram que, por conta da embriaguez, a mãe permitia que o pai levasse outras mulheres para a casa da família e praticasse sexo com elas na frente das filhas.
Na noite de terça-feira, o Conselho Tutelar esteve na residência da família e constatou a embriaguez dos responsáveis.
Como medida de prevenção, o conselheiro André Luís Gomes de Souza decidiu retirar as meninas da casa da família. “No imóvel, ainda morava o irmão mais velho delas, um rapaz de 23 anos, que tem emprego fixo e uma filha. Para que elas não fossem levadas para a instituição de proteção a menores, ele se dispôs a se mudar para a casa de sua namorada e ficar com as garotas até que a Justiça decida o destino delas”, disse Souza.
Mudança
Na manhã de ontem, todos deixaram o imóvel onde viviam e se mudaram. “O irmão assinou um termo de responsabilidade. O caso agora será notificado à Justiça para que o juiz da Infância e Juventude decida qual o melhor caminho”, informou o conselheiro.
Segundo ele, o novo lar das meninas deve ser acompanhado pelo Conselho Tutelar e também receberá apoio da Assistência Social do Município. “Já fizemos os encaminhamentos para que a Prefeitura nos auxilie neste caso e dê todo o suporte necessário ao irmão.”
Quanto aos pais, o conselheiro disse que ambos foram notificados sobre a retirada das meninas de casa. “Hoje (ontem) o pai esteve aqui no Conselho para ter as filhas de volta, se mostrou arrependido. Explicamos que, para isso, ele terá de se tratar do alcoolismo e ele se mostrou disposto a fazê-lo”, disse o conselheiro.
O Conselho agora procura uma instituição que possa oferecer esse tipo de tratamento ao pedreiro. “Ele será encaminhado. Também estamos disponibilizando o acompanhamento psicológico para que os vínculos familiares possam ser reconstruídos. Mas os resultados deste tratamento dependem dele.”
Polícia
A denúncia de maus-tratos feita no Plantão Policial sábado foi encaminhada para a Delegacia de Defesa da Mulher, que também é responsável pelos casos envolvendo menores de 18 anos. Ontem a delegada Graciela Ambrósio David disse que ainda não teve como dar andamento nas investigações, mas que deve fazê-lo ainda nesta semana, ouvindo as meninas, os pais e testemunhas para apurar se as garotas sofriam maus-tratos.
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