No dia 10 de dezembro, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) “rasgou” compromisso que havia feito com a Câmara e, com uma canetada, desapropriou o prédio onde funcionava o espaço de eventos Dom Pedro. O episódio azedou a relação entre o governo e o Poder Legislativo e levou o vereador Adérmis Marini (PSDB) a renunciar ao cargo de líder. Havia o compromisso de que os parlamentares seriam consultados quando a compra fosse feita. Na manhã de ontem, dois meses após terem sido enganados, os vereadores decidiram vistoriar o imóvel, que é usado como o novo depósito de merenda do município desde o começo do ano.
A ideia de levar os vereadores para conhecer o prédio partiu do presidente Jépy Pereira (PSDB). Ele suspendeu a sessão num dia tumultuado em que a pauta era formada por 32 matérias, além das que entraram em regime de urgência. Nem todos aderiram à caravana. “Não tenho nada o que fazer lá. Conheci o prédio antes”, disse Adérmis Marini.
Luiz Vergara (PSDB) também preferiu ficar em seu gabinete e criticou a decisão tomada por Jépy Pereira. “Não somos especialistas e não adianta ficar olhando instalações. Precisamos saber em quais condições a compra foi feita. Fiz um requerimento ao prefeito para ter acesso na íntegra ao processo referente à aquisição, para fim de análise e providências”. Na opinião do vereador, a visita marcada de surpresa ao imóvel teria sido uma estratégia do presidente para tirar os parlamentares do plenário e evitar que usassem a tribuna para criticar o projeto que previa o corte de benefício dos servidores, pautado para ser votado no período da tarde. “Acho que o presidente quis esfriar a situação da Câmara, que é um barril de pólvora por causa da guerra com os servidores. A visita foi perda de tempo. O prédio já foi comprado. Nada vai mudar”.
O projeto citado por Luiz Vergara, que revoga o pagamento adicional de até 30% para servidores que fizeram cursos de qualificação, não foi votado e só deverá voltar ao plenário no próximo mês. A proposta é polêmica e enfrenta resistência de parte dos vereadores por causa das pressões internas.
O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, Fernando Nascimento, usou a tribuna para defender a manutenção do benefício. “Estamos indignados com a possibilidade de revogação. O plano de cargos aprovado pelos vereadores foi elaborado pelo Ibam, que cobrou R$ 70 mil para a execução do serviço, e não é ilegal”.
Ao perceber que não teria os votos favoráveis para a aprovação, Jépy Pereira recuou e sugeriu que o projeto fosse adiado para “tirar as dúvidas existentes”, já que os pareceres emitidos pelo mesmo órgão são conflitantes. O plenário concordou e adiou a discussão por quatro sessões.
Já o projeto concedendo desconto de 50% no valor das tarifas diárias de veículos apreendidos no pátio foi aprovado em regime de urgência. Após a matéria ser sancionada pelo prefeito, o que deve acontecer até o fim da semana, os motoristas terão até o dia 28 para fazerem a retirada.
O plenário também autorizou a Câmara a firmar convênio com a Prefeitura para cessão de funcionário para assumir o cargo de diretor-geral, que deverá ser ocupado por Jerônimo Sérgio Pinto.
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