A forte estiagem e a alta temperatura que atingem a região de Franca desde o mês passado têm afetado a produção no campo. Nos cafezais, os estragos já são visíveis e os produtores estão apreensivos em relação às perdas. A previsão é que a safra deste ano tenha uma redução de até 20% em relação à estimativa inicial de 1,2 milhão de sacas.
Devido à falta de água, os grãos estão murchos e os ramos não crescem, enquanto que o sol intenso tem queimado as folhas e provocado queda. Em plantações em solo muito arenoso, como a do agricultor Dilmo Teodoro Tristão, 68, em Itirapuã, a situação é ainda pior, pois não há acúmulo de água. “É triste ver o café assim. Em mais de 40 anos sofri muito com geada, mas com o sol dessa forma, não me lembro”. Tristão tem 50 mil pés de café, a maioria de plantas novas, e em vez das 250 sacas previstas, deve colher apenas 100. Uma perda de estimada de R$ 40 mil.
Segundo o agrônomo Mário Cunha Rezende Neto, da Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral), a perda de qualidade e em volume deverá se estender por duas safras. “Para essa safra, a perda deve ficar entre 15% a 20%. Para 2015 ainda não temos como prever, mas é certo que haverá queda. No café, a planta cresce em um ano para produzir no outro.”
Com 17 hectares de café, o produtor Sebastião do Carmo Alves e Silva, também de Itirapuã, está com uma adubação atrasada em razão da falta de chuva. “Normalmente em janeiro chove de 300 a 500 milímetros, neste ano aqui na fazenda choveu apenas 80 milímetros. É a pior seca”, disse.
De acordo com dados do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), Franca teve em janeiro deste ano o menor índice de chuvas para o mês nos últimos 38 anos - apenas 131,9 milímetros, quase metade do que choveu em janeiro de 2012. Em relação ao calor, o mês também foi o mais quente da história na cidade desde que as medições começaram em 1961. A média máxima registrada no mês ficou em 29,9ºC.
“Não há o que fazer. A situação só não é ruim para quem tem irrigação. Temos apenas que torcer para que essa seca não se prolongue”, disse Silva, que calculava anteriormente uma colheita de 1,1 mil sacas de café. “Como não choveu, houve uma má formação do grão e os ramos não cresceram. Precisamos esperar para saber quanto teremos de perda.”
O prejuízo de cada produtor será calculado após a colheita, pois, com grãos menores, haverá a necessidade de mais frutos para encher uma saca de 60 quilos.
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