Em 20 anos, cometi dois erros de arrasar. Uma vez fui contratado para mediar debate num evento de grande empresa, promovido para seus corretores. Era entre um diretorzão e um dos mais experientes corretores do mercado. Preparei-me. Abri com simpatia, perspicácia e humor... mas a plateia fez cara de espanto. Continuei, mas minhas intervenções eram recebidas friamente. Só fui saber depois: eu tinha dito ‘bom dia a todos, é uma satisfação estar reunido com vocês aqui na...” — disse o nome do maior e mais odiado concorrente da empresa. Nem percebi. A cada intervenção, esperam para me ver repetir a besteira. Quando me disseram, depois, não acreditei. Foi ato falho, certamente provocado pela minha familiaridade com o concorrente, de quem eu era cliente. Pedi desculpas. Mandei carta me desculpando, mas só o diretorzão respondeu, educadamente, dizendo que não havia problemas, mas é certo que me tornei “persona non grata” lá.
Este ano, o outro. Comecei o ano com o pé no acelerador no Facebook, tentanto triplicar o número de curtidores, obter alto engajamento e transformar minha página num veículo forte de distribuição de conteúdo. O problema é que quanto mais mais posts, menos tempo para checar: publiquei tabela de correção do imposto de renda com erro grosseiro e a mancada foi compartilhada 64 vezes. Refiz o post, pedi desculpas, mas não havia mais o que fazer. Como suportar? Começo com um velho dito: mais importante que o fracasso é o que você faz com ele. Assumo imediatamente, peço desculpas e toco em frente. Tem que ser na hora, sem dar voltas, e de forma a que as pessoas recebam a explicação de mim mesmo. Na empresa, tivessem sinalizado, eu teria transformado o limão em limonada. Depois, passo um período terrível me cobrando, refletindo para não fazer de novo. Errar é humano, aprender com ele é divino. Ah, sim, é “consertos”, idiota.
Luciano Pires
Jornalista, escritor, palestrante, cartunista
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