Insosso significa sem sal, sem graça, ou seja, algo sem sabor. De que serve o sal, se perde o sabor? Para nada! Grande parte da população perdeu a graça com políticos e suas políticas que não visam o bem comum.
Todo ser humano, goste ou não, é um ser político. Política é a arte de negociar, e fazemos isso a todo instante. O que não gostamos e estamos fartos, na verdade, é de politicagem, falta de honestidade e integridade daqueles que deveriam dar exemplo de boa-fé, lealdade e moralidade.
Nas aulas que ministro em curso de Direito falo sobre os deveres das partes, dos procuradores e de todos os que se manifestam no processo, especialmente sobre verdade, lealdade e boa-fé cuja inobservância gera ônus denominado litigância de má-fé, que dá origem a aplicação de multa e indenização.
Aprendemos em casa, nas religiões e nas instituições sérias que o homem pode perder tudo, menos o seu nome, sua honestidade e dignidade; mas, na política partidária, não é isso que vemos. Triunfa quem esquece princípios morais, religiosos, éticos, legais e age com deslealdade e má-fé.
Temos o poder de mudar isso através das urnas, mas o cenário que se apresenta é sempre o mesmo. Os poucos que se apresentam como ‘esperança’ acabam sendo envolvidos pelo sistema. Pessoas de bem e com nome a zelar evitam se candidatar. Temem ver todo o patrimônio moral construído durante a vida ser destruído em uma legislatura.
Nossa política esta insossa. Digerir não é fácil. Precisamos renovar o sabor da política salpicando-a com sal grosso capaz de espantar coisas ruins que persistem em ficar no poder.
Os políticos atuais, se quiserem permanecer têm que rever seus conceitos para resgatar os valores essenciais e inerentes aos seres humanos: honestidade, moralidade, ética, amor ao semelhante.
Teremos eleição em breve e a possibilidade de escolher entre renovação ou manutenção. Podemos dar novo sabor. Basta de ser insosso e de votar em pessoas insossas.
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
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