Telhados com infiltração, parte do madeiramento tomado por cupins e a maioria das obras de arte - afrescos produzidos por Agostinho Ferrante na década de 20 - coberta com cerca de sete camadas de tinta branca. É assim que a Capela do Colégio Champagnat é descrita no laudo técnico produzido pela Feac (Fundação de Esporte Arte e Cultura de Franca) para pleitear verba para o projeto de restauração deste patrimônio histórico. “Ainda há chances de recuperarmos a arte original, mas não podemos demorar. Quanto mais tempo levarmos, menor se tornam as chances de sucesso”, disse a diretora de cultura da Feac, Karina Gera.
Estimado em R$ 4 milhões, o projeto consignado visa também melhorias no Museu Histórico de Franca “José Chiachiri”, no Centro, como criação de reserva técnica, instalação de elevador para acessibilidade, entre outras. “Deste montante, cerca de R$ 600 mil seriam para a Capela”, estima a diretora da Feac.
Em um ano, a “peregrinação” do projeto é extensa. Consta protocolos de registro do mesmo nas esferas estadual e federal. A proposta foi levada pessoalmente por uma comissão da Feac à Secretaria de Estado da Cultura, apresentada a dois deputados e entregue em mãos à ministra da Cultura, Marta Suplicy, que esteve em Franca na última semana.
“Quando assumi a diretoria da Feac, há um ano, tive acesso a um processo já aberto para a restauração da Capela do Champagnat, que estava parado por falta de verba”, disse Karina. “Então fui atrás das visitas técnicas para ficar ciente dos custos e elaborar o projeto atual, mas o fato é que a Feac não tem recursos para dar andamento ao projeto. Se fizesse isso, teria que interromper todos os outros já existentes. Desde então estamos tentando subsídio com o Estado e a União.”
Neste ano, o projeto também concorrerá à Lei Rouanet, que institui políticas públicas para a cultura nacional.
Reformas anteriores
A capela foi instalada no Colégio Champagnat em 1923 e a estrutura recebeu afrescos do artista francano Agostinho Ferrante. A primeira vez que passou por restauro foi em 1960, feito pelo próprio Ferrante.
Em 1971, quando a Escola Estadual “Mário D’Elia” foi transferida para o Colégio Champagnat, a capela passou pelo processo de descupinização e limpeza. Após sua desativação, há aproximadamente 20 anos, a capela ficou abandonada. Também há cerca de duas décadas, demãos de tinta branca - sete, segundo laudo técnico da Feac - foram aplicadas nas paredes e teto.
A Capela é um patrimônio tombado desde 1997. “Nossa voz está sendo ouvida, o que precisamos é que ela seja atendida. Um bom projeto numa gaveta, para mim, é um péssimo projeto”, disse Karina.
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