Briga política e dança das cadeiras em Restinga revoltam moradores


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Lucivalda Rosa da Silva, moradora do Jardim Alto da Boa Vista, em Restinga, em meio ao mato e rua sem asfalto no bairro
Lucivalda Rosa da Silva, moradora do Jardim Alto da Boa Vista, em Restinga, em meio ao mato e rua sem asfalto no bairro
“Está uma guerra na Prefeitura. Ninguém trabalha. Ficam só brigando por dinheiro e poder. Isso prejudica muito a população”. Esse foi o desabafo da cozinheira Lucidalva Rosa da Silva, moradora do Alto da Boa Vista, em Restinga. A cozinheira, que vive no bairro sem asfalto há seis anos, foi uma das restinguenses que relataram ao Comércio a sensação de “abandono” que vivem os moradores da cidade de 6,6 mil habitantes nos últimos meses.
 
A rixa entre os grupos políticos em Restinga é antiga, mas foi potencializada no ano passado. O impasse entre Executivo e Legislativo tomou grandes proporções e culminou na cassação do prefeito Paulo Pitt (DEM) e da vice Luciene Martins (PRB), em agosto. Pelo voto de 8 dos 9 vereadores, prefeito e vice foram considerados culpados por irregularidades na administração. Foram seis idas e vindas de prefeitos em apenas um ano (veja no quadro).
 
Alguns moradores defendem as bandeiras de seus partidos ou candidatos, mas a maioria reclama da situação. “Estamos à deriva. Faltam médicos e remédios e os ônibus escolares estão sucateados”, disse o operador de telemarketing Hugo Costa.
 
Outro lado
Paulo Pitt admite que as trocas de prefeito prejudicaram a população e culpa a Câmara. “Os vereadores atrasaram um ano do meu mandato. O município perdeu mais de R$ 2 milhões com essa história”, disse. Ele cita que o ex-presidente da Câmara deixou de recolher o INSS dos servidores, o que gerou a certidão negativa do município e inviabilizou a assinatura de convênios com os governos federal e estadual para o recapeamento de vias e construção de galerias, entre outros benefícios. O vereador Fernando Costa (PSB), que presidiu a Câmara Municipal no ano passado e assumiu como prefeito interino três vezes, afirma que o pagamento foi feito e destaca que a troca de comando foi necessária. “Não vejo prejuízos. Quando estive lá (na Prefeitura) fiz muitas coisas. O município tem dinheiro, mas cabe ao administrador saber usar”, disse.
 
O consenso entre os dois poderes parece ser um sonho distante para alguns moradores, como a dona de casa Josefa Maria Silveira. “Eles poderiam parar de brigar e cuidar da limpeza da cidade e da gente que precisa”, disse.
 
O impasse entre os grupos no poder também “empaca” projetos. Costa alega que Pitt desperdiçou meio milhão de litros d’água mandando esvaziar a piscina no Centro de Convivência do Idoso, que reformou e colocou em uso durante o tempo em que permaneceu como prefeito interino. Pitt afirma que precisava concluir a obra e rebate a acusação dizendo que Costa interrompeu diversas licitações em andamento e não deu continuidade à obra de construção da Praça do Jardim Pedreira, que já estava licitada. 
 
A população de Restinga, indignada, confirma que a briga ficou ainda mais visível em cada troca de prefeito. “Um (Pitt) pinta a praça e os prédios públicos e os outros (vereadores) vão lá e mudam as cores dos prédios, sem se preocuparem com os gastos”, disse a estudante Josiane Cunha.
 
Na Justiça
A desavença entre os dois Poderes em Restinga atrasou a construção de galerias de águas pluviais no bairro Alto da Boa Vista, mesmo com a verba de R$ 187 mil em caixa. O prefeito alega que a cassação o impediu de executar a obra. O ex-presidente da Câmara, Fernando Costa, afirma que a licitação feita pelo democrata foi “irregular”, porque, segundo ele, a empresa vencedora não atendia aos requisitos impostos no edital de concorrência pública. Ainda de acordo com ele, por esse motivo a licitação teria sido cancelada por Luciene, quando esteve à frente da Prefeitura. A vice-prefeita cassada disse que pediu o cancelamento do processo para a construção ser executada por servidores municipais para reduzir custos. 
 
Por conta da verba parada nos cofres municipais e o prazo de execução das obras ultrapassado, Pitt e o atual presidente da Câmara, Dejair Ferreira de Freitas, assinaram, na semana retrasada, um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) na Promotoria de Justiça de Franca.
 
O Executivo se comprometeu a enviar à Câmara o projeto de lei autorizando a utilização da verba para construir as galerias. Já o parlamentar firmou compromisso em submeter a matéria à apreciação dos vereadores na primeira sessão ordinária do ano.
 
Enquanto isso, a população sofre no bairro. “Tem poeira, sujeira e mato. Quando chove fica um caos. Aqui precisa não só de galerias, mas de asfalto”, disse a moradora Maria Helena Torres.
 
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