Até o final de fevereiro, a Justiça Estadual de Franca deve ter uma nova sede. As instalações onde hoje funciona o Fórum Estadual serão trocadas por um novo imóvel localizado na avenida Presidente Vargas, com o dobro de espaço e mais conforto. O Tribunal de Justiça do Estado ainda não decidiu qual será o destino do prédio da avenida Ismael Alonso y Alonso. Mas pelo menos um órgão já se candidatou a ocupá-lo. A Polícia Civil de Franca quer transformar o local em uma superdelegacia.
O ‘Super DP’, como vem sendo chamado o projeto, abrigaria a Delegacia Seccional, a DIG (Delegacia de Investigações Gerais), a Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes) e os 1º, 2º e 3º Distritos Policiais. As delegacias do Complexo do Jardim Aeroporto (4º DP) e a que funciona na avenida Abrahão Brickmann, no Leporace (5º DP) seriam mantidas como estão. Já a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) ainda não tem sua situação definida. Por atender um público mais específico, ela não poderia funcionar no mesmo local que as demais. Então, pode ser que fique fora do ‘Super DP’.
Idealizador do projeto, o delegado seccional Marcelo Caleiro disse que a principal vantagem da mudança seria uma melhor utilização dos agentes policiais. “O que mais preciso hoje são funcionários. Existe a promessa de que 50% dos concursos sejam para preencher vagas no interior (do Estado), mas até todo esse pessoal passar pelo treinamento e ficar apto para o serviço, vai muito tempo. Unindo as unidades terei mais gente à disposição”, disse o delegado.
Hoje cada delegacia tem sua própria equipe que trabalha na área delimitada do distrito. Com o novo formato, a delegacia central teria uma equipe única que atenderia as regiões e setores conforme a necessidade. “Teríamos a possibilidade de mover o pessoal para determinada investigação, por exemplo, ou ainda para atuar em uma área específica que tenha registrado aumento na criminalidade.”
Ponto positivo
Outra vantagem relacionada ao quadro de pessoal, segundo Caleiro, seria a remoção de profissionais que atualmente fazem serviços administrativos para as ruas. “Um exemplo são os cartórios. No modelo atual, cada delegacia tem pelo menos um funcionário que realiza esse serviço de controle de boletins e documentação. Com a nova delegacia, teríamos apenas um cartório central. Não precisaríamos de tanta gente neste serviço. Os policiais deste setor poderiam ser aproveitados de outra maneira.”
Entre as ideias, está a criação de uma Central de Flagrantes para atender especialmente e de forma separada os policiais militares. O delegado estuda ainda a possibilidade de estender o horário de atendimento de balcão. Hoje as delegacias funcionam das 8 às 18 horas. A ideia é que o fechamento passe para as 22 horas. “São vários projetos que devagar vamos conseguindo colocar em prática.”
O delegado ainda disse que, com a união das delegacias, o valor pago em aluguéis seria economizado. “São cerca de R$ 190 mil por ano. Esse valor poderá ser usado em novos equipamentos por exemplo.”
Centralizados
A grande inconveniência do ‘Super DP’ é que os distritos deixariam de funcionar nos bairros. Para registrar uma ocorrência, por exemplo, os moradores que hoje contam com uma delegacia próxima teriam que se deslocar até o centro da cidade. “Vamos trocar a comodidade pela qualidade. Não acho que esse deslocamento seja um empecilho, já que o Fórum é bem localizado e atendido por várias linhas de ônibus.”
Sobre as enchentes que ocorrem no local e levaram o Poder Judiciário a se mudar, o delegado disse que seriam feitas obras de reforma para diminuir os efeitos das chuvas. Ele não soube precisar quanto seria investido na adequação do prédio aos serviços da Polícia.
A proposta ainda não foi apresentada oficialmente à Secretaria de Segurança Pública e à Secretaria de Justiça do Estado. “Eu me reuni com o secretário e já o informei sobre a ideia. Estou esperando a desocupação do prédio para então formalizar a entrega do projeto.”
Proposta
Quanto à Justiça Estadual, o delegado seccional Marcelo Caleiro disse que já encaminhou um ofício à diretoria do Fórum requisitando o prédio para a instalação do super DP. “Como ainda não houve a desocupação, não recebi nenhuma resposta.”
Julieta Passeri, diretora do Fórum, foi procurada pelo Comércio, mas não se pronunciou sobre o assunto.
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